Você sabia? Em pouco mais de um mês, cinco fóruns são alvos de ataques na Paraíba

Incêndios criminosos, ameaças de bombas, tiroteios e homicídios tornam os fóruns da Paraíba locais perigosos para trabalhar e frequentar.

16 de abril de 2018   

Por volta das 14h desta segunda-feira (16) os funcionários do Fórum Affonso Campos, em Campina Grande, no interior da Paraíba, foram convidados a se retirar ordenadamente do prédio, que estava sendo isolado pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), da Polícia Militar. Uma bomba teria sido encontrada em uma lixeira dentro de um banheiro no primeiro andar do edifício.

Em menos de uma semana esta já é a terceira ocorrência de violência registrada em um dos Fóruns na Paraíba. Na última quinta-feira (12), um tiroteio assustou os moradores de Pedras de Fogo. O Fórum Juiz Manoel João da Silva era alvo de dois assaltantes que estavam em uma moto tentaram roubar a arma de um segurança do local. A porta de vidro foi estilhaçada na troca de tiros. Os bandidos fugiram sem ser identificados.

No dia seguinte, a sexta-feira (13), o Fórum Ferreira Junior, em Cajazeiras, foi cenário do que pode ter sido um crime de vingança. Ao chegar para a audiência em que o próprio filho seria julgado, Francisco Cristóvão da Silva, de 64 anos, teria sido morto a tiros na porta do edifício com vários tiros pelas costas. O filho do idoso seria julgado pelo assassinato de um homen na cidade no ano passado. O principal suspeito da morte de seu Francisco é o irmão da vítima, que está sendo procurado pela Polícia Civil.

Se esticarmos a linha do tempo um pouco mais, para incluir o mês de março, as ocorrências em Fóruns na Paraíba quase dobram. No dia 4 do mês passado um incêndio atingiu o depósito do Fórum de São José de Piranhas, veículos como carros e motos, além de documentos importantes foram destruídos. Dez dias depois aconteceu o mesmo no Fórum de São Bento. Dois casos isolados, mas que estão sendo investigados pela Polícia Civil e pela Comissão Permanente de Segurança do Tribunal de Justiça da Paraíba.

Segundo o presidente da comissão, o desembargador Carlos Martins Beltrão, os ataques podem não ter ligação direta com a atuação da justiça. “Tivemos alguns acontecimentos que não dizem tanto respeito a questão da justiça em si. Estamos investigando, mas parece que estes ataques não estão ligados à atuação da justiça em si”, declarou o desembargador.

A Comissão se reuniu nesta segunda-feira de manhã, antes de saber do suposto ataque a bomba em Campina Grande para desenvolver mapas de riscos de segurança e dar respostas padrão no combate a estas questões no judiciário paraibano, no entanto, o trabalho ainda é muito incipiente.

“Acredito que, em 90 dias, a equipe já disponha de um mapa inicial de riscos e algumas respostas preliminares, isto é, algo mais concreto”, disse a gerente de Controle Interno do Tribunal de Justiça, Rossana Guerra de Sousa, que foi convidada a participar da reunião para buscar formas de combater a violência que tem acontecido nos fóruns.

Ela explicou que a consultoria da gestão de riscos e controles é um trabalho regular da Gerência de Controle Interno do Tribunal de Justiça. “A consultoria de risco já foi aplicada na parte de gestão de contratos e, agora, a gente está trazendo para a área de segurança. Essa é uma metodologia que a auditoria usa e que a gente fica feliz em poder disseminar junto ao Tribunal”, enfatizou.

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