A professora Soraya Tatiana Bonfim, de 56 anos, foi encontrada morta no dia 20 de julho em Vespasiano, na região metropolitana de Belo Horizonte. Educadora respeitada, lecionava História para turmas do 7º e 9º ano no Colégio Santa Marcelina desde 2017. Seu desaparecimento foi comunicado à polícia pelo filho, Matteos França Campos, de 32 anos, que posteriormente confessaria ser o autor do crime.
Conhecida pelo carinho com que tratava os estudantes e pelo empenho em projetos de formação cidadã, Soraya era considerada uma profissional admirável. “Ela era uma pessoa muito competente, muito responsável, muito dedicada a tudo que fazia… Sempre tinha uma palavra de apoio, de esperança para os meninos”, declarou a irmã Roseli Hart, diretora pedagógica da instituição onde trabalhava.
O corpo da professora foi encontrado coberto por um lençol, próximo a um viaduto, com sinais de queimaduras e sangramento. A armação de seus óculos foi localizada no local, mas sem documentos. A identificação oficial foi feita no Instituto Médico Legal pelo próprio filho, que havia registrado um boletim de ocorrência após alegar que não conseguia mais contato com a mãe.
No depoimento inicial, Matteos afirmou ter saído para viajar e que, ao retornar, não conseguiu localizá-la. Disse ter pedido ajuda a uma tia para acessar o apartamento, onde não encontrou vestígios de arrombamento. Contudo, dias depois, em 25 de julho, ele foi preso na casa do pai e confessou o assassinato. Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu após uma discussão motivada por dívidas relacionadas a apostas e empréstimos consignados.
Após matar a mãe por estrangulamento dentro do apartamento, Matteos colocou o corpo no carro dela e o levou até Vespasiano, onde o abandonou. Para despistar a investigação, tentou simular um crime sexual. Apesar da confissão, o caso ainda está em fase de apuração, com exames técnicos sendo realizados e imagens de segurança sob análise. A delegada Ana Paula Rodrigues, do Núcleo de Feminicídio, classificou o caso como feminicídio.
Mesmo após o crime, Matteos manteve a aparência de normalidade. Viajou com amigos para a Serra do Cipó horas depois do homicídio, em uma viagem que, segundo a polícia, já estava programada. No sábado, retornou a Belo Horizonte e começou a acionar familiares e serviços de saúde em busca da mãe.
No dia do enterro, realizado no Cemitério da Paz, em Belo Horizonte, o filho prestou uma homenagem pública nas redes sociais. O texto, reproduzido com autorização, revela uma despedida comovente:
“Hoje me despeço de você mãe, a maior, mais forte e mais bela parte do todo que sou. E dizer adeus a você é como tentar fechar um livro que nunca vou parar de reler.
Você foi mais do que apenas mãe. Foi minha amiga, minha parceira, minha maior encorajadora, incentivadora, minha inspiração, meu amor.
Você foi e sempre será a melhor professora que eu já tive, não só de História, mas de toda uma vida. Sempre fez tudo com paixão, com curiosidade, com o brilho nos olhos de quem ama o que faz, ‘de olhos bem abertos pessoal’. Todos nós que fomos seus alunos aprendemos com você sobre o mundo, sobre amor, coragem, generosidade e alegria.
Mas eu tive o privilégio de ter você todos os dias, aprender sobre a vida com você, viver você.
Você sempre teve esse jeito único de transformar a vida em festa, mesmo nas dificuldades. Com seu riso solto, sua leveza e sua força, nos mostrava que viver vale a pena, que sentir, questionar, lutar e sonhar são parte do que nos faz humanos.
Quantas vezes eu te ouvi contar histórias, e quantas vezes mais eu percebi que você mesma era uma história linda, escrita com verdade, fé e afeto. Você fez história na vida de tanta gente, e a maior delas com certeza foi na minha.
Hoje meu mundo está mais triste, mais vazio, sufocante. Mas dentro de mim mãe você continua viva, na minha voz, nas minhas escolhas, no que eu fui, sou e sempre serei. Tudo o que aprendi de mais bonito veio de você.
Vai em paz minha baianinha, com meu amor eterno e com a certeza de que sua luz nunca vai se apagar.
Você fez, é e sempre será uma linda história!
Te amo para sempre.”
Apesar da declaração pública de afeto, a polícia afirma que o assassinato foi cometido de forma solitária, motivado por conflitos financeiros. Matteos França se encontra preso, e as investigações continuam para verificar se o crime foi premeditado.
Por Redação










