Brasileiro é condenado à prisão perpétua na Irlanda por matar a ex-namorada, também brasileira, asfixiada

Miller Pacheco, 32 anos, recebeu pena máxima por estrangular Bruna Fonseca em Cork; família celebra justiça rigorosa e alerta contra violência doméstica.

Publicado: 24/01/2026

Bruna Fonseca tinha 28 anos quando foi assassinada na Irlanda — Foto: Reprodução/Redes sociais



O brasileiro Miller Pacheco, de 32 anos, natural de Formiga (MG), foi condenado à prisão perpétua na sexta-feira (23 de janeiro de 2026) pelo assassinato da ex-namorada Bruna Fonseca, de 28 anos, morta por estrangulamento no dia 1º de janeiro de 2023, em apartamento na Liberty Street, centro de Cork, Irlanda. A sentença foi proferida pelo Tribunal Criminal Central um dia após a condenação pelo júri, conforme legislação irlandesa que torna a pena perpétua obrigatória em casos de homicídio.

Brasileiro é apontado como autor de assassinato de brasileira, encontrada morta em apartamento na Irlanda — Foto: Reprodução/Redes sociais

Durante a audiência, Miller aceitou a pena, pediu desculpas à família da vítima e expressou arrependimento pela “devastação” causada, segundo seu advogado Ray Boland, que confirmou não haver recurso. A juíza Siobhan Lankford descreveu Bruna como “jovem excepcional” e “ser humano completo”, destacando que o crime ocorreu porque o réu não aceitou o fim do relacionamento: “A vida foi tirada porque uma mulher não teve o direito de seguir em frente”.

A prima da vítima, Marcela Fonseca, reagiu nas redes sociais celebrando a decisão: “Acabou. Justiça foi feita. Agora todo mundo pode saber o que houve dentro do quarto”. Ela revelou ter impedido a fuga de Miller logo após o crime:

“Eu cheguei bem na hora. Ele não ia fugir, nem que fosse a última coisa que eu fizesse na minha vida”. Segundo Marcela, o assassino articulou a situação, chamou Bruna ao apartamento, matou-a, limpou o local, escondeu o corpo sob lençol, arrumou mala e tentou escapar.

A irmã de Bruna, Izabel Fonseca, afirmou ao g1:

“Aqui a Justiça é muito mais rigorosa e temos certeza de que a pena, prisão perpétua, será cumprida. Isso nos tranquiliza muito”.

Marcela ampliou o alerta sobre violência contra mulheres:

“Mulheres, eles fazem. Eles sempre fazem. Não tenham dó. Dó é o que mantém ciclos vivos” e “Dó é o que faz a gente explicar demais, esperar mudança, aceitar migalha e normalizar alerta vermelho”. Ela concluiu com apelo: “Homens, parem de nos matar”.

Bruna e Miller mantiveram relacionamento de cerca de cinco anos no Brasil, marcado por controle e uma separação anterior. Bibliotecária formada pela Unifor-MG em 2018, Bruna mudou-se para Cork em setembro de 2022 em busca de oportunidades, acompanhada da sobrinha. Miller chegou dois meses depois, e o casal rompeu definitivamente poucos dias após.

Marcela Fonseca, prima de Bruna Fonseca deu detalhes do crime em post feito nas redes sociais -23-01-2026 — Foto: Reprodução/Redes Sociais

No dia do crime, Bruna foi ao apartamento de Miller para videochamada com familiar que cuidava do cachorro do casal no Brasil. Moradores ouviram gritos por volta das 4h15; a polícia chegou às 6h30 após ela ser encontrada desacordada. Exames confirmaram estrangulamento e espancamento. Miller foi preso no local, negou inicialmente, mas foi indiciado sem fiança.

Bruna, nascida em 11 de maio de 1994 em Formiga, era descrita como batalhadora, discreta, carismática e religiosa. Familiares destacam sua persistência: “Mesmo que tudo desse errado, ela tentaria sempre de novo”. A família expressou misto de alívio e dor pela sentença, reforçando que a justiça irlandesa trouxe tranquilidade.

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Redação com g1



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