Apresentadora desabafa sobre caso de cão agredido até a morte por adolescentes de classe alta e a certeza da impunidade

Duda Meneghetti emociona no Pra Variar (DiaTV) ao narrar tortura e morte do cão Orelha na Praia Brava (SC). Denuncia privilégios, ameaças a testemunhas e risco de escalada de violência. Cobra leis mais duras e empatia desde a infância. Assista e compartil

Publicado: 27/01/2026

Fotos: Reprodução/Internet



Nesta segunda-feira, 26, o programa Pra Variar, tendo como uma das apresentadoras Duda Meneghetti na DiaTV, dedicou parte de sua edição a um caso que tem causado intensa comoção e indignação nas redes sociais: a tortura e morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, norte de Florianópolis (SC). Com voz embargada e visível revolta, a atriz e dubladora de 33 anos narrou os detalhes brutais do ocorrido, transformando seu desabafo em um potente discurso sobre injustiça, privilégio e a falência moral que permite a banalização da crueldade.

Assista:

O crime ocorreu na madrugada do dia 15 de fevereiro. Orelha, um cachorro conhecido e cuidado por moradores da região, foi atraído de sua casinha por um grupo de quatro a seis adolescentes. Acreditando ser chamado para brincar, o animal foi, na verdade, vítima de uma sessão de tortura que culminou em ferimentos gravíssimos: pregos cravados em seu crânio e mandíbula quebrada. Encontrado agonizando na manhã seguinte, Orelha não resistiu e precisou ser submetido à eutanásia devido à extensão dos danos.

O que elevou o caso de um ato de extrema violência a um símbolo de impunidade foram as ações subsequentes para abafá-lo, conforme detalhado por Duda e confirmado por reportagens locais, como a do site SeLigaPB. Um porteiro do condomínio teria registrado o ato em vídeo, mas foi imediatamente ameaçado por familiares de um dos adolescentes envolvidos – citados como pai e tio, que agiram com arma de fogo. O síndico, segundo as denúncias, afastou o funcionário. Houve ainda relatos de intimidação a testemunhas e de que alguns dos adolescentes envolvidos teriam sido rapidamente enviados ao exterior, numa clara tentativa de evitar repercussões legais.

“Esses adolescentes, gente, eles têm… superpoderes. Eles são brancos, eles são homens, eles são ricos, eles são da alta sociedade de Florianópolis”, afirmou Duda Meneghetti em sua fala emocionada e contundente. A apresentadora conectou a violência contra o animal a um padrão perigoso de comportamento. “Daqui 3, 4 anos vai ser eles coagindo uma menina… Vai ser eles abafando um caso de que eles tacaram fogo numa pessoa moradora de rua. Tá entendendo? As coisas começam dessa forma”.

Sua reflexão aponta a “impunidade e privilégios dos agressores” como centrais. O caso expõe como o poder econômico e social pode ser mobilizado para obstruir investigações, silenciar vítimas (humanas ou não) e perpetuar um ciclo de violência. A fala de Duda – “eu queria, gente, que esses meninos sofressem exatamente o que eles fizeram com que esse cachorro sofresse” – revela a profundidade da frustração coletiva com um sistema percebido como falho e desigual.

Além da denúncia, a apresentadora apela por mudança. São listados pontos de ação urgentes:

  • A necessidade de sensibilização da comunidade sobre direitos animais;
  • O apoio firme a investigações para responsabilização dos envolvidos;
  • O fortalecimento das leis de proteção animal;
  • A implementação de programas educacionais que cultivem empatia desde a infância;
  • A criação de redes seguras para denúncias, livres de retaliação.

O caso de Orelha transcende a tragédia individual. Tornou-se um espelho que reflete distorções profundas na sociedade: a hierarquização do valor da vida, a operação de uma justiça de mão dupla e a perigosa normalização da crueldade. Como resumiu Duda, citando uma frase que se tornou o mote de sua fala: “Se os animais tivessem uma religião, o homem seria o diabo”. A morte de Orelha, portanto, não é um incidente isolado, mas um sintoma grave que clama, conforme o desabafo público da apresentadora e a mobilização nas redes, por uma revisão urgente de valores, leis e atitudes, antes que a indiferença permita que novas tragédias, ainda maiores, se concretizem.

Por

Redação



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