Vanessa Lara de Oliveira Silva, 23 anos, moradora de Pará de Minas e estudante do 7º período de Psicologia na Faculdade de Pará de Minas (Fapam), foi encontrada morta na manhã de 10 de fevereiro de 2026, um dia após desaparecer em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O caso, marcado por extrema violência, foi classificado como feminicídio por familiares e amigos.
Desaparecimento após cadastro no Sine
Na tarde de 9 de fevereiro, Vanessa saiu de casa para participar de processo seletivo em uma agência do Sine na Rua Antônio Dias, em Juatuba. Ela fazia o trajeto diário de ônibus entre Pará de Minas e cidades vizinhas para participar de recrutamentos.
Câmeras de segurança registraram sua chegada ao Sine por volta das 12h30 para cadastro em vaga. Às 14h, ela deixou o local em direção ao ponto de ônibus, passando por áreas movimentadas e, depois, por trechos mais isolados, próximo à Igreja Betel. Após esse momento, perdeu contato com a família.
Assista:
Buscas e localização do corpo
Na manhã de terça-feira (10), familiares, amigos e voluntários refizeram o trajeto divulgando fotos e pedindo informações em comércios e residências. Com apoio de drone operado pelo fotógrafo Leandro Caetano e indicações de testemunhas, o corpo foi localizado em área de vegetação na pista de caminhada da Rua Antônio Dias, próximo ao acesso à BR-262, no bairro Boa Vista.
Dois homens que ajudavam nas buscas avistaram primeiro uma calça jeans suja de barro e, em seguida, o corpo da jovem sobre uma árvore/valeta. A Polícia Militar foi acionada e isolou a área. Perícia da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e rabecão do IML compareceram ao local.
Sinais de violência extrema e feminicídio
A vítima foi encontrada nua, com indícios de estupro e estrangulamento com o próprio cabo de energia do notebook que carregava. Mochila, roupas, notebook e celular foram apreendidos no local. O corpo passou por necropsia no IML e foi liberado na noite de terça para sepultamento em Igaratinga na quarta-feira (11).
Familiares e amigos classificaram o crime como feminicídio brutal. A investigação da PCMG aguarda laudos periciais para confirmar causa e circunstâncias da morte.
Suspeito identificado e confissão
A PM identificou Ítalo Jeferson da Silva, 43 anos, como principal suspeito. Parentes relataram que ele chegou em casa sujo de barro, com arranhões e marcas de sangue nas roupas, tomou banho, pediu dinheiro à mãe e saiu dizendo que viveria nas ruas.

De Belo Horizonte, Ítalo telefonou confessando o crime. Ele possui histórico de tentativa de estupro, roubos, tráfico de drogas e cumpria regime semiaberto domiciliar desde dezembro de 2025. As buscas continuam na capital mineira, mas o suspeito segue foragido.
Comoção na faculdade e na comunidade
Na Fapam, professores Éser Pacheco e Marina Saraiva lembraram Vanessa como “tranquila, responsável, dedicada, meiga e boazinha demais”. Ela sonhava com carreira em Recursos Humanos e estagiara no CAPS-IJ atendendo crianças e adolescentes com transtornos mentais severos. As aulas da turma foram suspensas temporariamente.
A amiga Aline Gomes classificou o crime como feminicídio brutal e criticou a soltura prévia do suspeito. O irmão Matheus Henrique Silva, 31 anos, questionou a lentidão policial e relatou ter obtido imagens de câmeras por conta própria. A mãe da jovem expressou desespero pela filha que buscava oportunidade de trabalho.

Repercussão e investigação em andamento
O caso gerou comoção em Pará de Minas e Juatuba. O Sine local suspendeu atividades na terça-feira. A Polícia Civil de Minas Gerais segue com a investigação e faz apelo por informações que ajudem a localizar o suspeito.
A morte de Vanessa Lara reacende o debate sobre violência contra a mulher, segurança no trajeto de estudantes e eficácia do monitoramento de regimes semiabertos.













