A escola, fundada em 2018 e promovida recentemente, marcou sua estreia na elite com um desfile que narrava a trajetória de Lula desde a infância pobre até a presidência. Escultura de mais de 18 metros em metal representava o petista, simbolizando sua figura central no enredo.
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O abre-alas destacou a seca no Nordeste, com carcarás no primeiro chassi e, na parte traseira, uma árvore florida com menino Lula segurando estrela azul. A comissão de frente trouxe simbolismo político: integrante representando Temer roubava a faixa presidencial e a entregava a um palhaço Bozo, antes de Lula, mascarado, reconquistá-la subindo rampa do Planalto.
Polêmica judicial e decisão do TSE
O tema gerou ações judiciais pedindo proibição do desfile por suposta propaganda eleitoral antecipada. O TSE rejeitou por unanimidade os pedidos na última quinta-feira, afirmando que impedir o espetáculo configuraria censura prévia. Os ministros alertaram, porém, que punições futuras poderão ocorrer se comprovados ilícitos eleitorais na avenida.
A decisão preservou a tradição carnavalesca como manifestação artística, mesmo em ano eleitoral. Especialistas destacaram o risco de abuso de poder econômico ou político, mas o desfile seguiu sem impedimentos.
Detalhes do samba-enredo
O samba, interpretado por Emerson Dias, foi composto por Teresa Cristina, André Diniz, Paulo Cesar Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-Tem Jr. A letra narra a migração de Lula e família: “Por ironia, treze noites, treze dias / Me guiou Santa Luzia, São José alumiou”.
Versos exaltam a luta sindical, referenciam Zuzu Angel, Henfil, Vladimir Herzog e Rubens Paiva, e criticam retrocessos: “Sem mitos falsos, sem anistia”. O refrão repete “Olê, olê, olê, olá / Vai passar nessa avenida mais um samba popular / Olê, olê, olê, olá, Lula! Lula!”, ecoando jingle de campanha.
“Revolucionário é saber escolher os seus heróis“, diz um trecho, reforçando o tom de inspiração popular.
Ficha técnica da escola
A agremiação contou com Wallace Palhares na presidência, Tiago Martins como carnavalesco, Emanuel Lima e Tainara Mathias como mestre-sala e porta-bandeira, Branco na bateria e Vanessa Rangeli como rainha de bateria.
O desfile integrou elementos da biografia de Lula: infância em Garanhuns, migração para o ABC Paulista, ascensão sindical e liderança política. Alegorias adicionais retrataram períodos como a prisão e supostos retrocessos em políticas públicas.
Repercussão e contexto cultural
O enredo dividiu opiniões: apoiadores viram celebração de figura popular; críticos apontaram uso político da Sapucaí. Lula assistiu de camarote, e o público entoou o refrão em setores do sambódromo.
A estreia da Acadêmicos de Niterói reforçou o carnaval como espaço de debate social, mesmo sob escrutínio eleitoral. O TSE manteve a linha de não interferir previamente, priorizando a liberdade de expressão artística.
Desdobramentos esperados
Após o desfile, análises do Ministério Público Eleitoral poderão avaliar se houve extrapolação. A escola, com financiamento público similar às demais (cerca de R$ 1 milhão federal), segue na disputa por notas.
O caso destaca tensão entre cultura popular e regras eleitorais em ano de eleições.










