A primeira noite do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, começou com o público entoando “Olê, olê, olá, Lula”, slogan de campanhas do presidente Lula, homenageado pela Acadêmicos de Niterói
O desfile destacou a trajetória política do petista e fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado como o palhaço Bozo, inclusive atrás das grades.
Lula acompanhou a apresentação de um camarote, ao lado da primeira-dama Janja, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do prefeito Eduardo Paes. Durante o desfile, desceu à pista para cumprimentar integrantes da escola. Janja, inicialmente cotada para desfilar, acabou substituída por Fafá de Belém.
Apesar da empolgação inicial com o slogan de Lula, que também foi refrão do samba, o entusiasmo não foi mantido nas arquibancadas ao longo da apresentação. Um dos carros alegóricos que mostrava o presidente ainda criança, segurando uma estrela, recebeu aplausos, enquanto fotos e bandeiras com seu nome eram vistas entre o público.
Outro ponto alto do desfile foi uma ala com diplomas acadêmicos, em referência à parte do trecho do samba que diz “filho de pobre está virando doutor”.
Veja imagens do desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval 2026
Acadêmicos de Niterói abre Carnaval do Rio com homenagem a Lula Eduardo – Anizelli/Folhapress
Desfile marca estreia da Acadêmicos de Niterói na elite da Marquês de Sapucaí – Eduardo Anizelli/Folhapress
Com homenagem à trajetória do presidente Lula, Acadêmicos de Niterói estreia no grupo especial do Carnaval carioca – Eduardo Anizelli/Folhapress
Ala da Acadêmicos de Niterói remete à criação do PT (Partido dos Trabalhadores) com fantasia na forma de estrela vermelha – Eduardo Anizelli/Folhapress
Acadêmicos de Niterói estreia no grupo especial do Carnaval carioca com homenagem ao presidente Lula – Eduardo Anizelli/Folhapress
Acadêmicos de Niterói estreia no grupo especial do Carnaval carioca com homenagem ao presidente Lula – Eduardo Anizelli/Folhapress
Acadêmicos de Niterói estreia no grupo especial do Carnaval carioca com homenagem ao presidente Lula – Eduardo Anizelli/Folhapress
A homenagem gerou questionamentos sobre possível propaganda eleitoral antecipada, já que Lula deve disputar a reeleição em 2026 —ele já confirmou a candidatura. Partidos de oposição acionaram o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que negou pedidos para impedir o desfile, mas alertou para eventuais irregularidades. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro criticou a encenação nas redes sociais.

Na sequência da noite, a Imperatriz Leopoldinense levou para a avenida uma homenagem a Ney Matogrosso, 84. O cantor desfilou com um figurino luxuoso criado pelo carnavalesco Leandro Vieira, com milhares de cristais verdes, moedas douradas e canutilhos.
As alegorias e fantasias percorreram diferentes fases da carreira do artista, como “O Homem Neandertal”, “Bandido”, personagens do Secos e Molhados e o “Bandoleiro”, ressaltando a postura transgressora e política. Entre os destaques visuais estava um lobisomem de 20 metros com efeitos realistas, apesar de um breve problema técnico na pista.
A bateria fez referência ao álbum “Bandido”, enquanto a rainha Iza surgiu fantasiada de serpente. Ao fechar os olhos, a maquiagem das pálpebras mostrava olhos reptilianos, com a pupila vertical. O enredo destacou a recusa de Ney a rótulos e sua resistência durante a ditadura militar. O ponto alto foi a entrada do cantor na última alegoria, quando cantou e dançou, emocionando o público. Antes de desfilar na avenida, o artista afirmou estar “com o coração a mil”.
Veja imagens do desfile da Imperatriz Leopoldinense no Carnaval 2026
Casal de mestre-sala e porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense na primeira noite de desfiles do Carnaval carioca – Tita Barros/Reuters
Imperatriz Leopoldinense homenageia Ney Matogrosso na primeira noite de desfiles na Marquês de Sapucaí – Tita Barros/Reuters
Ala "Pro Dia Nascer Feliz" homenageia o cantor Cazuza, um grande amor na vida de Ney Matogrosso – Tita Barros/Reuters
Imperatriz Leopoldinense homenageia Ney Matogrosso na primeira noite de desfiles na Marquês de Sapucaí – Tita Barros/Reuters
Carro alegórico relembra Secos & Molhados – Tita Barros/Reuters
Imperatriz Leopoldinense homenageia Ney Matogrosso na primeira noite de desfiles na Marquês de Sapucaí – Pablo Porciuncula/AFP
Ney Matogrosso, homenageado pela Imperatriz Leopoldinense, participa de desfile na Marquês de Sapucaí – Pablo Porciuncula/AFP
Artista representa Ney Matogrosso no desfile da Imperatriz Leopoldinense – Pablo Porciuncula/AFP
Uma das alegorias, inspirada na canção “Sangue Latino”, enfrentou dificuldades para fazer a curva e passar sob o viaduto, provocando uma breve interrupção. Apesar disso, o intervalo não comprometeu o tempo inicial da escola.
Para que Ney pudesse acompanhar a evolução da agremiação, a Imperatriz alterou a ordem das alegorias na concentração, posicionando primeiro o carro em que ele desfilava. A estrutura remetia à busca do prazer, com esculturas simbólicas, anjos brindando com vinho, cisnes e outros elementos alegóricos.

Terceira escola a desfilar, a Portela, maior campeã do Carnaval carioca, entrou na avenida com cerca de 40 minutos de atraso, por decisão da Liesa. A medida foi tomada após um carro da Acadêmicos de Niterói apresentar problemas na dispersão. Embora a Imperatriz também tenha enfrentado dificuldades na saída, seu desfile ocorreu dentro do horário previsto. Para evitar impactos na programação, a liga optou por adiar o início da apresentação da Portela.
A escola, porém, poderá perder pontos no quesito evolução, pois seu último carro apresentou atraso para entrar na avenida, A última ala começou o desfile desacompanhada da alegoria. A saída da Portela da pista ocorreu no último minuto, com correria da bateria e tensão entre os integrantes.
Veja imagens do desfile da Portela no Carnaval 2026
Portela resgata história de Príncipe Custódio, uma figura espiritual, de origem africana, marcante na cultura afro gaúcha do século 19 – Ricardo Moraes/Reuters
Portela é a terceira escola a passar pela Marquês de Sapucaí – Ricardo Moraes/Reuters
Portela aborda a cultura negra no Rio Grande do Sul em desfile na Sapucaí – Pablo Porciuncula/AFP
Portela aborda a cultura negra no Rio Grande do Sul em desfile na Sapucaí – Pablo Porciuncula/AFP
Portela aborda a cultura negra no Rio Grande do Sul em desfile na Sapucaí – Pablo Porciuncula/AFP
Portela aborda a cultura negra no Rio Grande do Sul em desfile na Sapucaí – Pablo Porciuncula/AFP
Portela aborda a cultura negra no Rio Grande do Sul em desfile na Sapucaí – Pablo Porciuncula/AFP
Nas arquibancadas da Sapucaí, o público balançava bandeiras azul e branco enquanto a escola passava. Neste ano, a agremiação emocionou ao resgatar a versão clássica de sua águia, símbolo maior da escola, em branco e em posição de voo, diferente dos carnavais recentes, quando o emblema apareceu em dourado e azul.
Com enredo sobre a realeza negra no Rio Grande do Sul, a escola destacou a trajetória de Custódio Joaquim de Almeida, conhecido como Príncipe Custódio. Ele tornou-se babalorixá e uma das figuras centrais do batuque, a vertente mais antiga das religiões afro-brasileiras no estado, sendo apontado como responsável por difundir rituais religiosos africanos. A Portela busca encerrar o jejum de títulos que dura desde 2017, quando dividiu o campeonato com a Mocidade.
Tradicionalmente ligada a um estilo mais clássico, a azul e branco de Oswaldo Cruz apresentou uma nova faceta na avenida, investindo em tecnologia. A comissão de frente surpreendeu ao exibir um componente “flutuando” sobre a pista, sustentado por um grande drone. Os carros alegóricos apostaram em forte iluminação, e parte das fantasias ganhou efeitos com luzes de Led, como a ala de baianas. As luzes da Sapucaí apagaram para realçar o efeito.

Já a Mangueira foi a escola que mais impactou a Sapucaí, com destaque para o acabamento das fantasias. A verde e rosa fez várias paradinhas e marcou a avenida com cores vibrantes na divisão das alas para homenagear o líder amapaense Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, apresentado como o Xamã Babalaô que protege a amazônia Negra.
O enredo percorreu os chamados cinco encantos: iniciou com rituais indígenas do Turé, atravessou rios tucujus conectando povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, celebrou a medicina ancestral com ervas e curas, destacou manifestações culturais do Amapá como Marabaixo e Batuque culminando na Missa dos Quilombos, e finalizou com Sacaca se transformando na natureza, reafirmando seu papel como guardião da amazônia negra.
Veja imagens do desfile da Estação Primeira de Mangueira no Carnaval 2026
Casal de mestre-sala e porta-bandeira da Estação Primeira de Mangueira durante desfile na Sapucaí – Tita Barros/Reuters
Sob gritos de "campeã", Mangueira encerra a primeira noite de desfiles na Marquês de Sapucaí – Tita Barros/Reuters
Mangueira apresenta enredo sobre Mestre Sacaca, líder religioso e curandeiro do Amapá – Tita Barros/Reuters
Ala das baianas da Estação Primeira de Mangueira – Tita Barros/Reuters
Mangueira promove mergulho na amazônia negra, em enredo sobre Mestre Sacaca, líder religioso e curandeiro do Amapá – Tita Barros/Reuters
Mangueira encerra a primeira noite de desfiles na Marquês de Sapucaí – Tita Barros/Reuters
Mangueira encerra a primeira noite de desfiles na Marquês de Sapucaí – Tita Barros/Reuters
Mangueira encerra a primeira noite de desfiles na Marquês de Sapucaí – Tita Barros/Reuters
O carro intitulado “Engarrafa a Cura, Vem Alumiar” levou cheiros de ervas medicinais à Sapucaí e exaltou Mestre Sacaca como o “doutor da floresta”. A alegoria destacou suas garrafadas medicinais homenageando parteiras e mulheres beneficiadas por seus remédios, com referência ao apelido espiritual, o “preto velho do Amapá”.












