Lulinha admite ao STF que teve viagem bancada pelo ‘Careca do INSS’

Apesar da admissão, a petição protocolada no gabinete do ministro André Mendonça afirma que Fábio Luís não firmou qualquer negócio com o empresário.

Publicado: 17/03/2026

Foto: Reprodução



A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu ao Supremo Tribunal Federal que o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e preso sob suspeita de liderar um esquema de desvios em aposentadorias, bancou uma viagem dele a Portugal em novembro de 2024.

Apesar da admissão, a petição protocolada no gabinete do ministro André Mendonça afirma que Fábio Luís não firmou qualquer negócio com o empresário, não recebeu pagamentos e desconhecia supostas fraudes envolvendo benefícios do INSS.

A manifestação chegou ao STF após a divulgação da quebra do sigilo bancário de Antônio Camilo e em meio ao receio, por parte da defesa, de que o filho do presidente se torne alvo de novas medidas da Polícia Federal. Antes, o conteúdo já havia sido antecipado pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Relação com empresário e viagem a Portugal

Na peça, os advogados relatam que Fábio Luís conheceu Antônio Camilo em 2024, apresentado pela amiga Roberta Luchsinger como um empresário bem-sucedido do mercado farmacêutico. Eles sustentam que, à época, ele não sabia da atuação do empresário junto ao INSS.

Segundo a defesa, o interesse do filho do presidente surgiu quando o empresário mencionou um projeto de produção de canabidiol medicinal. Fábio Luís teria relatado que uma sobrinha faz tratamento com a substância e enfrenta dificuldades para conseguir medicamentos de qualidade.

Ainda de acordo com o documento, durante essa conversa, o empresário informou que viajaria a Portugal para conhecer fabricantes e convidou Fábio Luís a acompanhá-lo, sem qualquer compromisso comercial. O convite foi aceito e Antônio Camilo arcou com os custos da viagem, em novembro de 2024.

A petição afirma que Fábio Luís apenas acompanhou visitas a possíveis fornecedores e propriedades ligadas ao projeto de canabidiol. Os advogados ressaltam que ele não participou de negociações, não investiu trabalho ou recursos próprios e não recebeu proposta de sociedade ou compra de cotas.

Defesa nega negócios e vê projeto como lícito

Em outro trecho, a defesa enfatiza que Fábio Luís jamais firmou qualquer tipo de relação comercial com Antônio Camilo e que desconhecia fraudes no INSS ou outras ilegalidades envolvendo o empresário.

“FÁBIO LUÍS jamais firmou qualquer tipo de relação comercial com ANTÔNIO CAMILO, tampouco tinha conhecimento sobre fraudes no INSS ou outras ilegalidades, registra a petição enviada ao STF”.

Os advogados argumentam ainda que, mesmo que tivesse sido fechado algum negócio na área de canabidiol, tal fato não configuraria crime. Para eles, o filho do presidente acompanhava o que entendia ser um projeto legítimo, conduzido por um empresário de sucesso no setor farmacêutico.

Operação Sem Desconto e avanço das investigações

A defesa afirma que a imagem pública de Antônio Camilo como empresário bem-sucedido só mudou muitos meses após a viagem, com a deflagração da Operação Sem Desconto, em 23 de abril de 2025. A ação investiga um suposto esquema de desvios em aposentadorias.

Conforme a petição, foi apenas após a operação policial e a ampla divulgação do caso que Fábio Luís passou a associar o nome de Antônio Camilo às suspeitas de fraudes contra o INSS.

Ao apresentar as explicações ao STF, os advogados buscam afastar a vinculação de Fábio Luís ao esquema investigado. Eles insistem que a relação com o empresário se limitou ao convívio social e à viagem a Portugal, sem qualquer envolvimento em negociatas ou recebimento de valores.

BAND.COM



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