YouTube testa anúncios não puláveis de 90 segundos em smart TVs

Anúncios não puláveis de 90 segundos aparecem em smart TVs; estratégia busca testar tolerância do público antes de migrar para assinatura paga.

Publicado: 11/04/2026

Plataforma ultrapassa limite de 30 segundos anunciado em março; usuários reclamam de experiência semelhante à TV tradicional. Assine Premium ou aguente mais publicidade. – Foto: Reprodução


O YouTube começou a testar anúncios não puláveis de até 90 segundos para quem assiste conteúdos pela smart TV e outros dispositivos conectados, gerando forte reação negativa entre usuários que acreditavam que intervalos longos de publicidade haviam ficado no passado.

Os relatos surgiram principalmente em fóruns como Reddit, com capturas de tela mostrando blocos de publicidade exibidos antes ou no meio de vídeos, sem opção de pular por até um minuto e meio. Em alguns casos, o bloco total de anúncios é ainda maior. O problema parece concentrado em aparelhos com Google TV, Android TV e players conectados à televisão, sem indícios claros de ocorrência similar em celulares ou computadores.

Anúncio de 90 segundos relatado por usuário no Reddit.

O que mudou nos anúncios do YouTube na TV conectada

Em 2 de março, a plataforma anunciou globalmente o lançamento de anúncios não puláveis de 30 segundos para a experiência na TV. A justificativa oficial era que cada vez mais pessoas usam o YouTube na sala de estar e os anunciantes buscam formatos semelhantes à televisão tradicional.

Cinco semanas depois, em 7 de abril, usuários começaram a registrar anúncios de 90 segundos — três vezes o tempo inicialmente divulgado. A empresa respondeu que os anúncios mais longos apareceram “sem intenção” e que estava investigando o que ocorreu.

Usuários do Reddit também relataram sobreposição de anúncios no botão que permite pulá-lo.

Uma pesquisa citada por veículos indicou que 87% dos usuários relataram ter recebido anúncios não puláveis com mais de 30 segundos, e quase um terço afirmou ter visto anúncios com mais de dois minutos.

Reação do público e comparação com TV tradicional

A reação variou da fúria à resignação. Muitos usuários compararam a experiência à espera de intervalos comerciais em canais abertos de televisão. A ironia não passou despercebida: em 2017, o YouTube havia removido anúncios não puláveis de 30 segundos por considerá-los “uma relíquia da televisão tradicional”. Agora, a plataforma caminha na direção oposta.

O teste de 90 segundos é visto como uma forma de medir a tolerância do público antes de migrar para o YouTube Premium ou desistir do uso gratuito na tela grande.

Números que sustentam a aposta em publicidade

O YouTube gerou US$ 40,4 bilhões em receita publicitária em 2025, superando a soma das receitas combinadas de Disney, NBCUniversal, Paramount e Warner Bros. Discovery (US$ 37,8 bilhões). A estimativa de receita total anual gira em torno de US$ 62 bilhões.

Em audiência, em dezembro de 2025 a plataforma capturou 12,7% do tempo total de visualização de TV nos Estados Unidos, contra 9% da Netflix, com a diferença crescendo nos meses seguintes.

Uso de IA na escolha de formatos

O Google utiliza sistema de inteligência artificial para decidir qual formato exibir — vinhetas de 6 segundos, comerciais de 15 segundos ou anúncios não puláveis de 30 segundos. Com mais dados de consumo na TV conectada, o sistema identifica momentos em que o espectador parece “confortável o suficiente” para tolerar intervalos maiores.

Alternativa paga e ausência de meio-termo

Para quem não quer anúncios, a solução oferecida é o YouTube Premium. No Brasil, o plano Premium Lite, focado em remover anúncios, custa R$ 16,90 por mês. Não existe configuração para escolher anúncios mais curtos ou menos frequentes. Segundo o Google, não é possível desativar o formato de 30 segundos sem assinatura paga.

Alguns planos pagos já incluem certos tipos de anúncios, seguindo tendência de serviços de streaming com camadas gratuitas com publicidade e camadas premium.

O que esperar dos testes

Por enquanto, não há confirmação se os anúncios de 90 segundos vão se tornar regra ou serão descartados após o período de testes. A plataforma reforça seu modelo de negócios baseado em publicidade massiva na tela grande, testando os limites da paciência dos usuários.

A leitura predominante é que o YouTube, como plataforma gratuita sustentada por um negócio publicitário gigantesco, comporta-se cada vez mais como televisão tradicional. Os anúncios longos servem como degrau para entender até onde o público tolera mais publicidade antes de assinar ou reduzir o consumo.

A paciência dos usuários, no entanto, mostra sinais claros de esgotamento.

Por

Redação



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