O Brasil pode estar próximo de adotar regras mais rígidas para a Lei Seca. Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados propõe o agravamento das punições para motoristas flagrados ao volante sob efeito de álcool — sobretudo quando há acidentes com vítimas graves ou mortes.
O Projeto de Lei 3.574/2024, apresentado pelo ex-deputado Gilvan Máximo (Republicanos), tem como foco um dos principais desafios da segurança no trânsito no país: o elevado índice de fatalidades provocadas por condutores alcoolizados. A proposta prevê aumento das multas, ampliação do período de suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e a criação de novas obrigações financeiras ao infrator.
Multa pode alcançar R$ 30 mil em caso de morte
O trecho mais rigoroso da proposta trata dos acidentes com resultado fatal. Caso seja aprovado, o texto estabelece multa equivalente a cem vezes o valor de uma infração gravíssima — atualmente fixada em R$ 293,47. Na prática, a penalidade pode chegar a R$ 29.347, além da suspensão do direito de dirigir por até 10 anos.
Nos casos em que a vítima sobreviva, mas fique com sequelas permanentes, a multa prevista é de cinquenta vezes o valor base (aproximadamente R$ 14,6 mil), com suspensão da CNH por cinco anos.
Motorista deverá custear despesas médicas e indenizações
O endurecimento das regras vai além das sanções administrativas. A proposta também determina que o motorista responsável arque com todos os custos médicos da vítima, além do pagamento de indenizações que podem atingir até dez vezes o valor da multa aplicada.
Na prática, o impacto financeiro pode ultrapassar significativamente o valor inicial da penalidade, ampliando as consequências para quem insiste em dirigir após ingerir bebida alcoólica.
Justificativa: conter mortes no trânsito
A iniciativa se apoia em um cenário considerado alarmante. De acordo com a justificativa do projeto, o número de mortes no trânsito brasileiro, em determinados recortes, supera o de vítimas de conflitos armados e até de crises sanitárias recentes.
O texto sustenta que a recorrência desses dados exige uma resposta mais rigorosa do poder público, tanto para punir quanto para desestimular comportamentos de risco.
Projeto segue em tramitação
Apesar do potencial impacto, a proposta ainda não tem aplicação imediata. No momento, o texto aguarda análise na Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados e pode sofrer modificações durante sua tramitação.
Após essa fase, ainda precisará passar por outras comissões, ser votado em plenário e, se aprovado, encaminhado ao Senado antes de eventual sanção presidencial.
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