O advogado eleitoral Eleon Neto, em entrevista ao programa Se Liga PB, neste sábado (22), explicou o que pode e o que não pode durante a campanha e esclareceu dúvidas sobre as eleições 2026. Entre os principais assuntos abordados estiveram o uso de inteligência artificial na campanha, a justificativa de ausência, o primeiro voto dos jovens, a manifestação individual no dia da votação e os cuidados necessários para evitar irregularidades eleitorais.
Um dos pontos de maior atenção destacados foi o uso da inteligência artificial (IA) durante o período eleitoral. Segundo Eleon, eleitores e candidatos precisam ter cuidado com conteúdos produzidos ou manipulados digitalmente, principalmente vídeos, áudios e imagens que possam atribuir a uma pessoa uma fala ou comportamento que não ocorreu.
A orientação é que o eleitor verifique a origem e a veracidade das informações antes de compartilhar ou tomar qualquer decisão baseada naquele conteúdo. A utilização de material manipulado com finalidade eleitoral pode gerar consequências para os responsáveis, conforme as regras da Justiça Eleitoral.
Dr. Eleon Neto também chamou atenção para a situação cadastral do eleitor. Ele explicou que estar em dia com a Justiça Eleitoral é importante não apenas para votar, mas também para diversas situações da vida civil. O advogado citou como exemplo pessoas que prestam concursos públicos. Segundo ele, quem for aprovado pode enfrentar problemas no momento da posse caso esteja irregular perante a Justiça Eleitoral.
A orientação também vale para quem pretende viajar para o exterior ou precisa apresentar documentação que comprove a regularidade eleitoral.
Outro ponto destacado foi a participação dos jovens que votarão pela primeira vez em 2026.
Dr. Eleon ressaltou que o primeiro voto representa um importante momento de exercício da cidadania e recomendou que os novos eleitores conheçam as propostas dos candidatos antes de escolher.
“Analisar as propostas dos candidatos e fazer sua parte democrática”, destacou.
A orientação, segundo Eleon, vale para todos os eleitores. Diante do número de abstenções registrado em eleições, ele reforçou a importância de comparecer às urnas e participar do processo democrático. Para o advogado, o voto pode contribuir diretamente para transformar a realidade do município, do estado e do país, sendo necessário escolher com responsabilidade e respeitar as regras eleitorais.
Também foi esclarecido uma dúvida bastante comum: quem vota no primeiro turno e deixa de comparecer ao segundo turno precisa justificar novamente a ausência. Isso ocorre porque primeiro e segundo turnos são considerados eleições distintas. Portanto, a regularidade em relação ao primeiro turno não elimina a necessidade de justificar uma eventual ausência no segundo.
A justificativa pode ser realizada pelos meios disponibilizados pela Justiça Eleitoral, inclusive pelo e-Título, conforme as regras vigentes.
Outro tema abordado foi o direito de acompanhamento de pessoas que necessitem de auxílio para votar. Segundo a orientação apresentada, o eleitor deve informar a situação ao presidente da mesa receptora. Havendo necessidade constatada, o acompanhamento poderá ser autorizado dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Eleon Neto explicou ainda que o eleitor pode realizar manifestação individual e silenciosa de sua preferência política no dia da votação.
Isso inclui, dentro das regras eleitorais, utilizar camisa, boné ou adesivo relacionado ao candidato de sua preferência. O problema surge quando há aglomeração de pessoas realizando manifestação coletiva, situação que pode caracterizar irregularidade.
O advogado também chamou atenção para outra prática recorrente nos dias de eleição: o descarte de santinhos e material de propaganda nas ruas. A chamada “chuva de santinhos” pode gerar responsabilização eleitoral.
Outro esclarecimento importante foi sobre o uso do celular. O eleitor pode utilizar o aparelho para apresentar o e-Título, quando permitido como documento de identificação, mas não poderá levar o celular consigo para a cabine de votação. Após a identificação na seção eleitoral, o aparelho deve permanecer no local indicado pelos mesários antes que o eleitor se dirija à urna.
Para facilitar o voto, especialmente diante da quantidade de números que precisam ser digitados, o eleitor pode levar uma ‘colinha eleitoral’ em papel com os números de seus candidatos.
Nas Eleições 2026, os brasileiros escolherão representantes para seis cargos: deputado federal, deputado estadual ou distrital, senador, governador e presidente da República. Como haverá duas vagas para o Senado em cada estado, o eleitor deverá votar duas vezes para senador.
A ordem de votação na urna será:
Deputado federal;
Deputado estadual;
Primeiro senador;
Segundo senador;
Governador;
Presidente da República.
Eleon Neto lembrou que a escolha para o Senado merece atenção especial, já que o mandato dos senadores é de oito anos. Orientação é pesquisar antes de votar.
Ao longo da entrevista, o advogado eleitoral reforçou que informação e responsabilidade são fundamentais para o eleitor. A recomendação é pesquisar a trajetória dos candidatos, conhecer suas propostas, conferir informações recebidas pelas redes sociais e evitar o compartilhamento de conteúdos de origem duvidosa, especialmente aqueles produzidos ou manipulados por inteligência artificial. Ele pontuou que exercer o direito ao voto vai além de simplesmente comparecer à seção eleitoral: significa participar do processo democrático de maneira consciente, respeitando as regras e assumindo a responsabilidade pela escolha dos representantes.
A participação do advogado no Se Liga PB teve como objetivo justamente aproximar o eleitor das regras eleitorais e esclarecer dúvidas que costumam surgir durante o período de campanha e no dia da votação.
Redação












