Os pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, são suspeitos de usar uma regra de expulsão por “rebeldia” da igreja que lideravam em Boa Vista para evitar denúncias de abuso sexual, segundo a Polícia Civil. O casal liderava a igreja há cinco anos, e é investigado por crimes contra seis adolescentes.
Em nota ao g1, a defesa do casal informou que eles são inocentes, primários, têm bons antecedentes e que nunca responderam a processos criminais. Disse ainda que tenta acesso aos autos para se manifestar sobre o pedido prisão.
Segundo a Polícia Civil, os suspeitos usavam a fé e a posição de liderança religiosa para manipular as vítimas. Conforme os investigadores, Wenderson e Arielly convenciam as meninas de que os atos sexuais faziam parte de um propósito espiritual. O casal está foragido.
A regra de expulsão é do estatuto da igreja, criado no dia 13 de agosto de 2021. O documento estabelecia diversas normas de conduta que deveriam ser seguidas pelos fiéis, incluindo direitos, deveres e medidas disciplinares.
A Polícia Civil afirma que o estatuto da igreja foi estruturado para proteger Wenderson e dificultar questionamentos à liderança. O documento estabelece que as normas têm “força de lei” para todos os membros da instituição.
No capítulo três, que trata das disciplinas e penalidades, o documento prevê o desligamento de membros que “promoverem dissidência ou se rebelarem contra a autoridade da Igreja, Ministério e Assembleias” ou que “tiverem conduta duvidosa, com atos ilícitos ou imorais”.
“Olhando mais a fundo, pode-se constatar que as regras da igreja foram criadas por Wenderson, para blindá-lo”, diz inquérito.
“Ele é, na visão dos membros, o representante de Deus na terra, o ‘ungido’, o portador da palavra sagrada. Contrariá-lo significa, para o crente, muito mais do que simplesmente discordar de um superior hierárquico; significa, em sua percepção subjetiva, rebelar-se contra a própria divindade”.
A investigação aponta ainda que “esse peso psicológico e espiritual é de magnitude imensurável, especialmente quando recai sobre adolescentes que estão em processo de formação de identidade, que buscam na comunidade religiosa um sentido de pertencimento, acolhimento e proteção”.
‘Ungido de Deus’
Os elementos reunidos pela investigação indicam que Wenderson se apresentava na congregação como a principal autoridade religiosa, cuja posição não podia ser contestada. Foram identificadas seis vítimas, com idades entre 12 e 17 anos.
Para a Polícia Civil, essa estrutura institucional, e Wenderson se autodenominar “ungido de Deus”, além de afirmar ter grande influência e poder, criou um ambiente em que as vítimas se sentiam incapazes de resistir ou denunciar os abusos.
“Nenhum ambiente e nenhuma posição de autoridade estão acima da lei”, reforçou a delegada Kamilla.
Por G1












