Caso Abacate: outro cachorro é assassinado com tiro de arma de fogo; ninguém foi preso

Caso Abacate: cão comunitário baleado morre após perfuração no intestino em Toledo (PR). Polícia trata como maus-tratos com agravante de morte e busca identificar atirador.

Publicado: 28/01/2026

Fotos: Reprodução



O cachorro comunitário conhecido como Abacate morreu nesta terça-feira (27 de janeiro de 2026) após ser atingido por um tiro no bairro Tocantins, em Toledo, no oeste do Paraná. O animal, cuidado coletivamente por moradores há cinco meses, sofreu perfurações graves no intestino e nos rins, não resistiu à cirurgia e faleceu durante o procedimento. A Polícia Civil investiga o caso como crime de maus-tratos com resultado morte e afirma que o atirador teve intenção de matar. O suspeito ainda não foi identificado.

Quem era Abacate e como chegou ao bairro

Abacate era um filhote quando apareceu no bairro Tocantins, há cerca de cinco meses. Segundo a empresária Raquel Cassol da Silva, ele seguiu os filhos dela durante um passeio de bicicleta e, desde então, passou a ser acolhido pela comunidade.

Moradores se revezavam para alimentá-lo, oferecer água e carinho. O animal era descrito como dócil, carinhoso e amoroso. Ele dormia na casa de Raquel, onde era o único local que aceitava entrar e permanecer. Todas as manhãs, arranhava o portão para sair, passeava pelo bairro e voltava para deitar debaixo de uma árvore em frente à residência.

A comunidade já organizava a castração dele nos próximos dias, demonstrando o compromisso coletivo com o bem-estar do cão.

Rotina interrompida e descoberta do ferimento

Na noite de segunda-feira (26), Abacate dormiu na casa de Raquel. Por volta das 6h30 da terça-feira (27), ele bateu na porta pedindo para sair, como de costume. Raquel abriu o portão e o animal deixou a casa.

A moradora saiu para o mercado por volta das 10h e, ao retornar, encontrou vizinhos em volta de Abacate na calçada. O cão estava ferido e não respondia. Outra vizinha relatou tê-lo visto às 7h40 com marcas de sangue, mas pensou que fosse briga com outro animal.

Abacate ainda conseguiu subir uma ladeira íngreme até em frente à casa de Raquel, onde foi socorrido.

Socorro veterinário e causa da morte

Moradores levaram Abacate imediatamente a uma clínica veterinária particular. Ao constatar ferimento por arma de fogo, a veterinária acionou a equipe de Proteção Animal de Toledo.

Exames revelaram que a bala transpassou o corpo, perfurou dois pontos do intestino e atingiu ambos os rins, causando contaminação abdominal grave pelo conteúdo intestinal. O animal apresentava estado crítico, com perfurações profundas e comprometimento renal.

Ele foi submetido a cirurgia emergencial para tentar corrigir as lesões, mas não resistiu e morreu durante o procedimento.

Investigação policial e enquadramento legal

A Polícia Civil de Toledo abriu inquérito para apurar o crime. O delegado Alexandre Macorin afirmou que as primeiras informações indicam intenção de matar por parte do atirador.

O caso é tratado como maus-tratos a animais com agravante de morte, previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998, art. 32, §1º-A), com pena de 2 a 5 anos de reclusão.

A polícia busca indícios de autoria e pede colaboração da população. Denúncias podem ser feitas anonimamente pelo telefone 197.

“Esse caso é grave e não ficará impune. A pessoa responsável vai responder pelo ato”, garantiu o delegado.

Repercussão na comunidade e mobilização

A morte de Abacate gerou forte comoção entre os moradores do bairro Tocantins. Leandro Volanick, um dos cuidadores, lamentou:

“Cuidados dele desde outubro do ano passado. Era dócil, carinhoso e amoroso. Ele não merecia esse fim. Toda a comunidade cuidava dele, dava comida e água, era muito querido por todos. Queremos justiça”.

Raquel Cassol da Silva reforçou o vínculo afetivo:

“Aqui em casa era o lugar que ele aceitava entrar, ficar e dormir. Era o nosso companheiro diário”.

Moradores organizaram manifestação para cobrar justiça e maior proteção aos animais comunitários. O ato está marcado para sábado (31 de janeiro), às 10h, no Parque do Povo, em Toledo.

Status atual da apuração e próximos passos

A investigação segue em andamento, com coleta de depoimentos, análise de possíveis imagens de câmeras na região e busca por testemunhas que tenham visto o momento do disparo ou o suspeito.

A Polícia Civil reforça que qualquer informação, mesmo anônima, é fundamental para identificar e localizar o responsável. A equipe de Proteção Animal de Toledo acompanha o caso e destaca a importância de denunciar maus-tratos imediatamente.

A comunidade espera respostas rápidas e punição exemplar, em meio à tristeza pela perda de um animal que representava carinho e união no bairro.

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Redação com g1



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