Caso Master: Haddad diz que não houve diálogo entre Fazenda e BC na gestão de Campos Neto

Banco Central instaurou auditoria interna para verificar eventuais falhas no processo de fiscalização do Banco Master. Segundo blog da Ana Flor, auditoria seria para verificar medidas adotadas desde 2019, na gestão Campos Neto.

Publicado: 29/01/2026

Foto: Reprodução/GloboNews



O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (29) que não houve diálogo entre o Banco Central (BC) e o Ministério da Fazenda na gestão do ex-presidente da autoridade monetária Roberto Campos Neto.

Assista:

O BC abriu um procedimento interno em novembro do ano passado para investigar eventuais falhas no processo de fiscalização e liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro. A medida foi tomada pelo presidente do órgão, Gabriel Galípolo, após a decretação de liquidação extrajudicial do banco.

A informação foi revelada somente nesta quinta, já que o processo está em sigilo no BC.

Segundo informações obtidas pelo blog da Ana Flor, no g1, o foco da auditoria está nas medidas tomadas durante a gestão do ex-presidente Roberto Campos Neto, que estava à frente do órgão desde 2019.

Apesar dos questionamentos das defesas de ex-gestores do banco investigado, de que a liquidação teria sido precipitada, a principal linha de trabalho da auditoria é a de que existiam elementos para a medida ter sido tomada antes, segundo o blog.

Banco Central lança ferramenta que impede abertura de contas sem a autorização do titular — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Questionado sobre a questão nesta quinta, Haddad afirmou que não havia interlocução entre o ex-presidente do BC, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governo Lula.

“Não houve dialogo do BC com Fazenda a não ser a partir da posse do [atual presidente, Gabriel] Galípolo. O Gabriel, logo que assumiu, percebeu o tamanho do ‘acabaxi’ que ele tinha, viu que a situação era muito grave, em poucos meses envolveu Ministério Público e Polícia Federal porque havia suspeitas de fraude em carteiras”, afirmou o ministro. 

“E quando você detecta uma fraude, que envolveu o Banco de Brasília, o BRB, ai não tem muito como manter no interior do Banco Central o problema. Você não está falando de má gestão, você está falando de crime”, prosseguiu.

Haddad também foi questionado sobre um eventual encontro com Vorcaro, e disse que “sequer conhecia a imagem dele”.

“Sabia do problema do banco [Master], tinha uma disputa de narrativa acontecendo, alguns diziam que era uma grande instituição financeira que estava surgindo e isso estava incomodando a concorrência, e outros dizendo isso não é sustentável, vai estourar. Tinha uma disputa de narrativas, mas logo que o Gabriel assumiu essa questão se desfez, porque o Gabriel se debruçou sobre o assunto e logo percebeu o tamanho do problema”, disse.

A auditoria é um processo sigiloso e começou logo depois da liquidação do banco, no ano passado. A medida visa, principalmente, descobrir por que a área técnica demorou para detectar o aumento das operações de risco do Banco Master, segundo informações do blog Valdo Cruz.

Por

Marcela Cunha, g1 — Brasília



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