O responsável pelo caso da criança autista que veio a óbito em uma UBS de Cubati no dia 17 de março, delegado Joaldo, garantiu que o inquérito para apurar se houve negligência médica na morte do garoto foi instaurado e se encontra em andamento. Os pais da criança de apenas 5 anos de idade, denunciaram que o garoto veio a óbito por negligência médica, e um Boletim de Ocorrência foi registrado no dia 20 de março.
Em contato com o Se Liga PB, Dr. Joaldo informou que familiares já foram ouvidos, e novos depoimentos devem ser colhidos na próxima semana, dando continuidade as investigações.
Ainda segundo o responsável pelas investigações, os depoimentos que estavam previstos para acontecer esta semana foram adiados, devido ao duplo homicídio que aconteceu nesta terça-feira (18), onde dois tratoristas da Prefeitura foram assassinados enquanto trabalhavam na zona rural do município.
“Instauramos o inquérito policial e já ouvimos familiares. Por conta do duplo homicídio em Cubati, adiamos as ouvidas do caso da criança para a próxima semana”, disse o delegado.
A OAB, através da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, que tem como presidente a advogada Dra. Giovanna Mayer, encaminhou ofício ao Ministério Público da Paraíba (MPPB) para acompanhamento do caso, e segundo a advogada, a Comissão se encontra aguardando um retorno sobre o andamento do pedido. O documento foi protocolado no dia 27 de março, e solicita ao Ministério Público a verificação da existência de outras infrações, além das que já estão sendo apuradas.
O Se Liga PB continuará acompanhando os desdobramentos do caso.
Relembre o fato
Uma criança de 5 anos veio a óbito em uma UBS do município de Cubati no dia 17 de março, e a mãe denuncia que houve negligência médica. Segundo relatou Jaqueline ao Se Liga PB, o menino, que se queixava de fortes dores e estava com febre, diarreia e tosse, foi levado para a UBS localizada no Enduro na quarta e na quinta-feira. Na sexta-feira (17), a mãe levou o garoto para a UBS do Alto dos Bentos, que funciona como hospital, onde o menino veio a óbito.
“Eu fiz tudo o que eu podia pelo meu filho. Meu filho estava doente desde o domingo e na quarta-feira fui com ele para o Hospital do Induro. O médico que atendeu disse que meu filho não estava sentindo dor nenhuma, e passou um xarope para tosse e remédio para diarreia. Vim para casa e na quinta meu filho ainda continuava muito doente, e eu como mãe, levei ele novamente”, disse.
O garoto era autista, e algumas crianças com autismo podem ter uma pré-disposição, uma vez que são mais suscetíveis, a ter problemas de saúde. A mãe contou que tentou falar que o filho tinha alguns problemas de saúde, para que se tivesse o devido cuidado diante dos sintomas que a criança estava sentindo, e segundo ela, não foi ouvida e o médico disse que o garoto não tinha nada, que a dor que estava se queixando ‘era coisa da cabeça dele’.
“Ele teve a coragem de olhar para a minha cara e dizer que eu tinha que ter paciência, porque era uma virose e não ia curar de um dia para o outro. Ele disse na minha frente que tudo que meu filho estava sentindo era coisa da cabeça dele, e o que poderia fazer era passar dipirona e outro xarope para tosse, porque meu filho não tinha nada. Ele praticamente chamou meu filho de louco”, contou.
A mãe disse também que pediu para a criança ser encaminhada para o Hospital de Picuí ou de Campina Grande, mas não teve o pedido atendido.
“Eu pedi, implorei, chorei tanto para que ele encaminhasse meu filho para Picuí e ele não mandou. Eles mediam a febre e não dava nada, só que meu filho suava muito, passava a noite inteira tossindo e se queixava de muita dor. Ele tava com anemia, sem comer desde o domingo e não passaram nem um soro. O médico veio ver como ele tava, falou com o menino, não falou nem comigo, e disse que não mandou nada para Picuí, debochando da minha cara”, afirmou.
Jaqueline viu seu filho desfalecer no local. Revoltada e emocionada, ela cobra providências e pede justiça, uma vez que o menino veio a óbito por pura negligência médica.
“Não quiseram mandar para Picuí e passaram uma nebulização. Eu mesma segurei meu filho nos braços. Eles deram nebulização com eu segurando ele, e ele nunca tinha tomado nebulização na vida. Quando a nebulização acabou senti meu filho afracando em meus braços, a enfermeira veio e levaram ele para a cama. Meu filho ainda tentou reagir, pedindo para ir para casa, e nisso ele foi se deitando, e eu do lado dele dizendo para ele se acalmar e que logo ele iria para casa, nisso desmaiou com olho aberto nos meus braços. Levaram ele para a emergência e o menino deu o último suspiro e eu comecei a passar mal ao ver o que estava acontecendo com meu filho, que sofreu tanto. Isso tudo foi culpa deles”, relatou muito emocionada e abalada.
Redação










