Educação ou consumo? O impacto das escolhas no futuro

Jânyo Diniz, CEO da Companha Ser Educacional e presidente do Sindicato das Instituições de Ensino Superior de Pernambuco e Paraíba

Publicado: 02/04/2025

Jânyo Diniz, CEO da Companha Ser Educacional(Foto: Divulgação)

Vivemos uma era em que o imediatismo e a busca por prazeres momentâneos reconfiguram as prioridades financeiras de muitas pessoas. Se, por um lado, momentos de lazer e autocuidado – como jantares, shows e viagens – são fundamentais para o bem-estar, por outro, a priorização desses gastos em detrimento do investimento na educação superior pode comprometer o potencial de crescimento pessoal e profissional a longo prazo.

Estudos e dados estatísticos demonstram que investir em educação não é apenas um gasto, mas uma aplicação com retornos significativos. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a média salarial de profissionais de diferentes níveis de escolaridade aponta que, em 2024, a remuneração média de pessoas com nível superior era quase três vezes maior do que a de profissionais sem essa qualificação.

Além disso, organizações internacionais, como a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), indicam que indivíduos com ensino superior tendem a apresentar taxas de empregabilidade e renda mais altas e maior estabilidade no mercado de trabalho.

Para ilustrar o contraste entre gastos imediatos e investimentos futuros, vejamos alguns números: uma graduação presencial, com mensalidades em torno de R$ 650, oferece, aproximadamente, 80 horas de aula mensais, custando cerca de R$ 8,13 por hora. Se a escolha for pela modalidade a distância, a mensalidade de cerca de R$ 230 reduz esse custo para, aproximadamente, R$ 1,44 por hora de estudo.

Um jantar, que dura, aproximadamente, uma hora e meia, pode custar entre R$ 75 e R$ 150 por pessoa, elevando o custo por hora para R$ 50 a R$ 100. Se o lazer for um show, com duração média de duas horas e ingressos a partir de R$ 150 – podendo ultrapassar R$ 1.000 –, o valor da hora pode chegar a R$ 500.

Embora o lazer seja importante para a qualidade de vida, quando priorizado de forma desequilibrada, pode desviar recursos que seriam decisivos para um investimento educacional. Essa escolha pode resultar em menores oportunidades de ascensão profissional e, consequentemente, em salários reduzidos no futuro.

Em países desenvolvidos, a relação entre investimento em educação e crescimento econômico é evidente. No Brasil, apesar de desafios como a desigualdade de acesso, os dados mostram que cada real investido em qualificação tende a gerar retornos a médio e longo prazo, contribuindo para uma vida com mais estabilidade e melhores condições de consumo.

A educação não pode ser tratada como um gasto secundário, algo a ser adiado ou descartado diante de prazeres momentâneos, como tem acontecido. Pelo contrário, é um investimento que traz retornos expressivos ao longo do tempo.

Diversos estudos comprovam que o retorno financeiro do investimento em educação é robusto e pode ser observado em diversas áreas. A valorização no mercado de trabalho é um dos principais fatores: profissionais com diploma superior não apenas têm acesso a oportunidades mais qualificadas, mas também desfrutam de melhores condições salariais e menores índices de desemprego.

Outro impacto é observado na estabilidade e no crescimento pessoal. Além dos benefícios financeiros, a educação amplia horizontes, promove o desenvolvimento do pensamento crítico e prepara os indivíduos para as constantes transformações do mercado global.

É por isso que precisamos repensar nossas prioridades. Não se trata de abrir mão do lazer ou do cuidado pessoal, mas de buscar um equilíbrio. A pergunta que deve guiar nossas decisões é: “Esta escolha está contribuindo para um futuro mais próspero e sustentável?”.

Ao direcionar parte dos recursos para a formação acadêmica, não estamos apenas investindo em conhecimento, mas também garantindo melhores condições de vida para nós e para as futuras gerações. Uma educação sólida é, de fato, a chave para transformar sonhos em realidade e para construir uma sociedade mais justa e desenvolvida.

A inversão de valores que privilegia o imediatismo em detrimento do investimento em educação pode limitar oportunidades e restringir o potencial de crescimento. Os números são claros: o custo por hora de estudo é significativamente inferior ao custo do entretenimento. Os benefícios de uma formação superior se refletem em salários mais altos, maior empregabilidade e, sobretudo, em uma vida com mais qualidade. Assim, investir em educação é a melhor estratégia para assegurar um futuro de estabilidade, crescimento e realização pessoal.

Da Ascom

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