Técnicos de enfermagem são presos no DF suspeitos de matar três pacientes com injeção letal de desinfetante e medicamentos indevidos no Hospital Anchieta

Polícia Civil do DF deflagra Operação Anúbis e prende três técnicos por homicídios na UTI de hospital particular em Taguatinga; principal suspeito confessou após confronto com vídeos.

Publicado: 20/01/2026

Arte: SeLigaPB/@demetriocsouza



A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu três técnicos de enfermagem suspeitos de homicídios dolosos qualificados no Hospital Anchieta, em Taguatinga. Os crimes ocorreram na UTI, onde as vítimas – uma professora aposentada de 75 anos (Miranilde Pereira da Silva), um servidor público de 63 anos (João Clemente Pereira) e um homem de 33 anos (Marcos Moreira) – foram mortas por injeções irregulares entre 19 de novembro e 1º de dezembro de 2025.

Os suspeitos são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, estudante de fisioterapia e principal executante; Marcela Camilly Alves da Silva, 28 anos; e Amanda Rodrigues de Sousa, 22 anos. Marcos é acusado de aplicar medicamentos em altas doses não prescritos, acessando o sistema hospitalar com login de médico ausente, retirando o fármaco na farmácia, preparando a seringa e injetando nas vítimas, muitas vezes escondendo o material no jaleco. Em pelo menos um caso, após o medicamento acabar, ele aplicou desinfetante intravenoso mais de dez vezes em uma idosa, causando parada cardíaca. Marcela e Amanda são investigadas por coautoria e negligência, auxiliando na observação ou conivência em pelo menos duas ocasiões.

O caso veio à tona após o hospital identificar “circunstâncias atípicas” em três óbitos rápidos, instaurar comitê interno e demitir os envolvidos, acionando a polícia. A Operação Anúbis resultou em prisões: dois suspeitos em 11 de janeiro e a terceira na quinta-feira seguinte (15 ou 16/01/2026), com buscas e apreensões de celulares e computadores em Taguatinga, Brazlândia, Águas Lindas de Goiás, Ceilândia e Samambaia.

Imagens de câmeras da UTI foram decisivas: o principal suspeito negou inicialmente, mas confessou ao ser confrontado com as gravações; uma das técnicas também admitiu após ver as provas. O delegado Wisllei Salomão afirmou: “Eles foram mortos pela ação de quem deveria estar cuidando deles”. Ele destacou que as vítimas, acamadas e sem defesa, não sabiam das substâncias aplicadas, caracterizando meio insidioso. A motivação ainda não está esclarecida.

Os indiciados respondem por homicídios qualificados (pena de 12 a 30 anos), com investigação em andamento para possíveis outras vítimas em hospitais onde atuaram por cerca de cinco anos. O Ministério Público avaliará o inquérito.

Por

Redação



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