Um alerta sanitário global, publicado na revista científica AIMS Microbiology, revela que os bebedouros compartilhados em parques, empresas e praças podem representar um risco invisível à saúde pública. Um levantamento abrangente conduzido nos Estados Unidos e em outros países, incluindo o Brasil, constatou que a água proveniente desses equipamentos chega a ser mais contaminada do que a própria água da torneira. Segundo os dados, entre 70% e 80% dos aparelhos avaliados ultrapassaram os limites de segurança bacteriológica estabelecidos pelas autoridades de saúde.
No cenário brasileiro, os índices são igualmente preocupantes. Enquanto apenas 36% das amostras de água de torneira apresentaram algum nível de contaminação, o índice saltou para 76% nos bebedouros analisados.
A discrepância evidencia que o problema muitas vezes não está na rede de abastecimento, mas na falta de manutenção e na higienização precária dos próprios equipamentos de consumo.
Riscos à saúde e transmissão de doenças
A presença de microrganismos nesses locais pode levar a quadros clínicos severos. De acordo com a infectologista Mirian Dalben, do Hospital Sírio-Libanês, foram identificados coliformes fecais em diversos pontos de coleta. A médica explica que a ingestão dessa água contaminada pode causar desde diarreias agudas até doenças mais graves, como hepatites.
O risco é acentuado pelo uso inadequado dos equipamentos. A bióloga Marta Ângela Marcondes, coordenadora do Projeto Índice de Poluentes Hídricos (IPH) da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), reforça que a água potável deve ser obrigatoriamente insípida, inodora e incolor. Entretanto, o contato direto da boca dos usuários com as saídas de água e a utilização dos bebedouros por animais de estimação contribuem para a proliferação de colônias bacterianas.
Recomendações e higienização
Para evitar a transmissão de doenças, especialistas recomendam que usuários de parques e espaços públicos evitem o contato direto com o bocal do bebedouro. O ideal é utilizar garrafas individuais ou copos descartáveis para coletar a água. Além disso, a manutenção frequente e a troca de filtros, tanto em ambientes domésticos quanto corporativos, são fundamentais para garantir a potabilidade.
A pesquisa reforça a necessidade urgente de maior fiscalização por parte das autoridades e de protocolos de limpeza rigorosos para esses equipamentos de uso comum. O cuidado deve ser estendido também aos animais, que podem se contaminar ao beber água em locais com higiene comprometida.
BAND.COM










