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Entidades criticam Vai-Vai por ‘demonizar’ policiais em desfile no carnaval de São Paulo

Em nota divulgada nas redes sociais, a associação classificou o desfile como uma provocação.

Publicado: 14/02/2024

FOTO: REPRODUÇÃO

O Clube dos Oficiais da Polícia e Bombeiros Militares da Paraíba repudiou e Escola de Samba Vai-Vai, por causa de uma ala que trazia policiais militares fantasiados de demônio. O caso aconteceu durante um desfile no Sambódromo do Anhembi, no sábado (10).

Em nota divulgada nas redes sociais, a associação classificou o desfile como uma provocação. “No caso em tela, o Clube dos Oficiais da PM e BM da Paraíba vem lamentar, repudiar a forma como a agremiação carnavalesca, tripudia e desrespeita, não apenas cada homem e mulher que veste a farda de policial e bombeiro militar, mas uma afronta a instituição, como já dissemos, integrante das forças de segurança de cada estado brasileiro”.

Outra entidade que se manifestou foi a Caixa Beneficente dos Oficiais e Praças da Polícia Militar e Bombeiro Militar da Paraíba, que classificou a atitude como desrespeitosa. “A atitude da escola de samba atingiu policiais de todo o país, pois tratou a classe como demônios e isso merece nosso repudio, já que a liberdade de expressão e licença poética não podem ferir o direto de imagem e honra dos profissionais da segurança pública.”

Resposta da Vai-Vai

Por outro lado, a Escola de Samba afirmo que a ala  não teve a intenção de promover qualquer tipo de ataque individualizado ou provocação. Veja posicionamento:

“Em 2024, a escola de samba Vai-Vai levou para a avenida o enredo Capitulo 4, Versículo 3 – Da rua e do povo, o Hip Hop – Um manifesto paulistano.

Como o próprio nome diz, tratou-se de um manifesto, uma crítica ao que se entende por cultura na cidade de São Paulo, que exclui manifestações culturais como o hip hop e seus quatro elementos – breaking, graffiti, MCs e DJs. Além disso, o desfile buscou homenagear e dar vez e voz aos muitos artistas excluídos que nunca tiveram seu talento e sua trajetória notadamente reconhecidos.

Neste contexto, foram feitos, ao longo do desfile, uma série de recortes históricos, como a semana de arte de 1922 e o lançamento do álbum “Sobrevivendo no Inferno”, dos Racionais MCs, em 1997. “Sobrevivendo no Inferno” é o segundo álbum de estúdio do grupo, lançado pelo selo da gravadora Cosa Nostra em 20 de dezembro de 1997. É considerado o álbum mais importante do rap brasileiro. Em 2007, figurou na 14ª posição da lista dos 100 melhores discos da música brasileira pela Rolling Stone Brasil. Em 2018, o álbum foi incluído pela Comvest (Comissão Permanente para os Vestibulares da Universidade Estadual de Campinas) na lista de obras de leitura obrigatória para o vestibular da Unicamp a partir de 2020. Meses depois, a obra virou livro, publicado pela Companhia das Letras, tamanha sua relevância.

Segundo a Revista Rolling Stone Brasil, que ranqueou o álbum na 14ª posição da lista dos 100 melhores discos da música brasileira, “Sobrevivendo no Inferno colocou o rap no topo das paradas, vendendo mais de meio milhão de cópias. Racismo, miséria e desigualdade social — temas cutucados nos discos anteriores — são aqui expostos como uma grande ferida aberta, vide ‘Diário de um Detento’, inspirada na grande chacina do Carandiru”.

Ou seja, a ala retratada no desfile de sábado, da escola de samba Vai-Vai, à luz da liberdade e ludicidade que o carnaval permite, fez uma justa homenagem ao álbum e ao próprio Racionais Mcs, sem a intenção de promover qualquer tipo de ataque individualizado ou provocação, mas sim uma ala, como as outras 19 apresentadas pela escola, que homenageiam um movimento. Vale ressaltar que, neste recorte histórico da década de 90, a segurança pública no estado de São Paulo era uma questão importante e latente, com índices altíssimos de mortalidade da população preta e periférica. Além disso, é de conhecimento público que os precursores do movimento hip hop no Brasil eram marginalizados e tratados como vagabundos, sofrendo repressão e, sendo presos, muitas vezes, apenas por dançarem e adotarem um estilo de vestimenta considerado inadequado pra época. O que a escola fez, na avenida, foi inserir o álbum e os acontecimentos históricos no contexto que eles ocorreram, no enredo do desfile.

Portal Correio

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