Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo prendeu, nesta terça-feira (24), 13 suspeitos de integrar um esquema de golpes por telefone em que criminosos se passavam por funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). De acordo com as investigações, o grupo pode ter movimentado mais de R$ 100 milhões.
As autoridades divulgaram um vídeo apreendido durante a operação que mostra a fraude acontecendo em tempo real. Na gravação, o golpista orienta a vítima: “Aperte ‘instalar’ agora. Agora está iniciando a instalação do aplicativo do INSS do senhor”.
Segundo a investigação, os suspeitos se apresentavam como funcionários do INSS e alegavam a necessidade de atualização cadastral. Durante a ligação, convenciam as vítimas a instalar um programa no celular. O aplicativo permitia o acesso remoto ao aparelho, possibilitando que os criminosos visualizassem senhas e acessassem aplicativos bancários em poucos segundos.
Suspeito apontado como chefe está foragido
Um dos investigados apontados como líder do esquema é o cantor MC Negão Original, nome artístico de João Vitor Guido. Em um vídeo registrado em setembro de 2025, ele e outros homens aparecem dentro de uma van exibindo revólveres e pistolas ao entrarem no condomínio onde mora.
De acordo com o Ministério Público, o músico teria utilizado empresas de fachada para movimentar cerca de R$ 20 milhões em apenas um ano. As investigações também apontam que ele aplicava golpes relacionados a apostas virtuais.
“Ele atuava por meio de uma bet clandestina, induzindo seus fãs e seguidores em redes sociais a jogarem. Era desenvolvida apenas para que a banca ganhasse”, afirmou o delegado Fernando Santiago.
Policiais estiveram no condomínio onde João Vitor reside, em Arujá, na Grande São Paulo, mas ele não foi localizado e é considerado foragido.
Estrutura do esquema e bloqueio de bens
Conforme a apuração, as centrais de golpes funcionavam em apartamentos de alto padrão na Zona Leste da capital paulista. O dinheiro obtido com as fraudes era direcionado inicialmente a uma fintech — empresa de tecnologia voltada a serviços financeiros — e, posteriormente, distribuído para dezenas de contas em nome de “laranjas”.
Um dos suspeitos investigados se apresentava como mecânico, mas circulava com um carro esportivo avaliado em R$ 3 milhões.
Na operação desta terça-feira (24), foram cumpridos 120 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. A Justiça também determinou o bloqueio de bens de 59 pessoas e 27 empresas.
Fonte: Paraíba.com.br










