Governo aumenta Imposto de Importação em 1.252 itens de tecnologia e máquinas; computadores médios que custavam R$ 5 mil passam a custar mais de R$ 8 mil

Aumento aprovado pelo Gecex em fevereiro de 2026 visa fortalecer produção nacional. MDIC afirma que 95% dos celulares são fabricados no Brasil; ABIMP prevê efeito cascata na competitividade. Saiba os detalhes da polêmica.

Publicado: 25/02/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). – Evaristo Sá/AFP



O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) aprovou, no início de fevereiro de 2026, elevação do Imposto de Importação sobre 1.252 produtos dos setores de máquinas, equipamentos e tecnologia. A medida, com vigência prevista para março, atinge itens como computadores, smartphones, roteadores, servidores, componentes eletrônicos, equipamentos médicos, máquinas industriais e agrícolas.

A recomposição tarifária e os objetivos

As alíquotas foram ajustadas para faixas entre 7,2% e 25%, com níveis intermediários de 10%, 12,6%, 15% e 20%. O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Ualace Moreira, explicou que a elevação não foi linear: bens com tarifa entre 0% e 7% subiram para 7% ou 12,6%; entre 7% e 12% foram para 12,6%; e entre 12,6% e 20% para 20%. A medida mantém tarifa zero para itens sem produção nacional via ex-tarifário, preservando incentivos como Lei de Informática, Lei do Bem e regimes da Zona Franca de Manaus.

Moreira afirmou que o objetivo é proteger a indústria nacional frente ao crescimento de importações, sem afetar preços ao consumidor. Ele destacou que mais de 90% dos celulares consumidos no Brasil são fabricados localmente, inclusive iPhone, e que setores estratégicos (como data centers) mantêm benefícios fiscais por até cinco anos.

Posição do governo e argumentos econômicos

Segundo o secretário, a alta tarifária estimula adensamento da cadeia produtiva, preserva empregos e equilibra as contas externas. Ele negou impacto significativo nos preços: “Os importadores dizem que haverá aumento de preço e problemas com insumos. Não vai”. Moreira reforçou que quem sentir elevação são os bens com produção nacional, e que pedidos de ex-tarifário para alíquotas que subiram de 0% para 7% podem ser feitos até 30 de março, com concessão imediata durante análise (até 150 dias).

A medida ocorre em contexto de críticas brasileiras a tarifas elevadas adotadas por outros países, como os Estados Unidos, em disputas comerciais globais.

Críticas da ABIMP e preocupações do mercado

A Associação Brasileira dos Importadores (ABIMP) contestou a decisão. O presidente Michel Platini reconheceu a legitimidade de proteger a indústria, mas alertou para efeitos imediatos: aumento de preços ao consumidor, encarecimento de bens intermediários e perda de competitividade. A elevação abrupta tende a produzir arrecadação no curto prazo e aumento de custos na economia, sem necessariamente gerar desenvolvimento industrial estruturante.

A entidade destacou que muitos itens afetados são componentes e equipamentos produtivos, sem substituição nacional imediata. O repasse em cascata compromete margens, inovação, exportações e planejamento industrial, especialmente em cadeias globalizadas.

Impacto estimado em produtos de consumo

Um exemplo concreto circula em estimativas: um computador médio, montado por cerca de R$ 5 mil, poderia chegar a R$ 8.762 com o encarecimento de processadores, placas-mãe, placas de vídeo e outros componentes importados. O valor varia conforme dólar, frete, estoque, ICMS estadual e forma de importação, mas afeta diretamente estudantes, profissionais de TI, designers, programadores e pequenos empreendedores que dependem de hardware acessível (veja abaixo o impacto dos novos impostos no preço de um computador médio).

wdt_ID wdt_created_by wdt_created_at wdt_last_edited_by wdt_last_edited_at Componente Antes (Importado sem novas taxas) Agora (Importado COM os novos impostos)
1 redacao 25/02/2026 10:31 redacao 25/02/2026 10:31 Processador (Ex: Ryzen 7 5700X) R$ 800 R$ 1.536 (Taxa de 92% por ser > US$ 50)
2 redacao 25/02/2026 10:31 redacao 25/02/2026 10:31 Placa-mãe (Ex: B550M Aorus/TUF) R$ 650 R$ 1.248 (Taxa de 92% por ser > US$ 50)
3 redacao 25/02/2026 10:31 redacao 25/02/2026 10:31 Memória RAM (32GB - 2x16GB) R$ 250 R$ 360 (Se comprado separado, taxa de 44% < US$ 50)
4 redacao 25/02/2026 10:31 redacao 25/02/2026 10:31 SSD (1TB NVMe Gen4) R$ 250 R$ 360 (Se comprado separado, taxa de 44% < US$ 50)
5 redacao 25/02/2026 10:31 redacao 25/02/2026 10:31 Placa de Vídeo (Ex: RX 6750 XT) R$ 2.400 R$ 4.608 (Taxa de 92% por ser > US$ 50)
6 redacao 25/02/2026 10:31 redacao 25/02/2026 10:31 Fonte (650W) + Gabinete R$ 650 (Nacional) R$ 650 (Nacional - Mantido o mesmo)
7 redacao 25/02/2026 10:31 redacao 25/02/2026 10:31 Custo Total Aproximado ~R$ 5.000 ~R$ 8.762

Smartphones, com alíquota subindo de 16% para 20%, também geram preocupação, embora o governo insista que a produção local mitiga o efeito.

Contexto macroeconômico e próximos passos

A medida reflete estratégia de reindustrialização e diversificação produtiva, em linha com políticas de incentivo fiscal existentes. O governo argumenta que estudos prévios garantiram continuidade da capacidade produtiva e estímulo à cadeia interna.

Para importadores e consumidores, o debate segue aberto: enquanto o Executivo vê proteção sem inflação, o setor privado alerta para custo imediato e risco à competitividade. O monitoramento nos próximos meses indicará se a elevação tarifária realmente fortalece a indústria sem pressionar o bolso da população ou se os temores de repasse se confirmam.

Por

Redação



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