Justiça determina que redes sociais excluam conteúdos que identifiquem adolescentes suspeitos de agredir cão Orelha

Retirada desses conteúdos atende à proteção a adolescentes no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Quatro são suspeitos de agredirem cachorro, que depois passou por eutanásia em Florianópolis.

Publicado: 28/01/2026

Foto: Reprodução/Internet



A Vara da Infância e Juventude de Florianópolis determinou que redes sociais e aplicativos adotem medidas para inibir a divulgação de conteúdos que exponham e identifiquem os adolescentes suspeitos de agredir o cão Orelha, que posteriormente precisou passar por eutanásia.

A decisão liminar (temporária) vale para a empresa Meta, responsável pelo Instagram, Facebook e Whatsapp, e a Bytedance, do TikTok. O g1 entrou em contato com essas empresas e não havia obtido retorno até a última atualização desta reportagem.

As redes sociais terão de excluir postagens e comentários que identifiquem os jovens, além de impedir a republicação desses conteúdos.

A decisão argumentou que a retirada de divulgação da identidade dos jovens atende à proteção prevista na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

As empresas têm 24 horas para excluir as postagens e comentários de contas listadas no processo, com elementos que permitam a identificação dos adolescentes, seja pelo nome, apelido, parentesco, residência ou fotos e vídeos. O descumprimento prevê multa diária, em valor não divulgado até o momento.

O que aconteceu com o cachorro Orelha?

Há pelo menos 10 anos, o cão comunitário conhecido como Orelha tornava o cotidiano dos moradores da Praia Brava em Florianópolis mais leve. As pessoas do bairro se revezavam nos cuidados a ele e a outros dois cachorros.

Em 4 de janeiro, Orelha foi agredido. Ele ficou tão ferido que passou por eutanásia. Segundo as investigações da Polícia Civil, um grupo de quatro adolescentes é suspeito das agressões.

A Polícia Civil indiciou três adultos suspeitos de coagir ao menos uma testemunha na investigação sobre as agressões ao cão comunitário.

🔍Coação é o crime de ameaçar ou agredir alguma das partes de um processo judicial – juízes, testemunhas, advogados, vítimas ou réus, por exemplo – para tentar interferir no resultado.

Os nomes dos indiciados não foram revelados pelos delegados e a corporação informou que o crime foi cometido contra o vigilante de um condomínio que teria uma foto que poderia colaborar com a investigação da ocorrência.

Outro inquérito segue aberto e é focado nos adolescentes suspeitos. Eles também teriam tentado afogar outro cachorro no mar.

Por

Joana Caldas, Jean Laurindo, g1 SC e NSC



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