Lula defende prisão de Bolsonaro para evitar desmoralizar Justiça brasileira

Lula defende prisão de Bolsonaro: "Soltar cachorro louco preso morde alguém". Acompanhe declarações sobre golpe, veto a projeto e eventos na Bahia.

Publicado: 06/02/2026

Fotos: Rafaela Araújo/Folhapress, Amanda Perobelli/Reuters



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (6) que libertar Jair Bolsonaro (PL), preso há seis meses por tentativa de golpe, desmoralizaria a Suprema Corte que o condenou a 27 anos e 3 meses. Em entrevista na Bahia, Lula defendeu seu veto integral a projeto que reduziria penas dos envolvidos no 8 de Janeiro. Ele comparou Bolsonaro a “cachorro louco” e destacou plano do ex-presidente para matá-lo, além de Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes.

Declarações de Lula sobre prisão de Bolsonaro

Lula usou metáfora forte para justificar a manutenção da prisão de Bolsonaro. “Você acha que se tiver um cachorro louco preso e você soltar ele vai estar mais manso? Ele vai morder alguém”, disse. Ele reforçou que o ex-presidente tentou destruir a democracia e teve plano para assassinar autoridades.

O presidente destacou a seriedade da condenação. “Esse cidadão foi condenado a 27 anos e 3 meses de cadeia. Tinha um plano para matar o Lula, o Alckmin e o Alexandre de Moraes”, afirmou. Lula criticou a ideia de anistia imediata, comparando a casos históricos como o pós-1964.

Veto ao projeto de redução de penas

Lula justificou o veto integral ao projeto aprovado pelo Congresso que visava reduzir penas aos envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro de 2023. “Eu vetei porque não concordo. Esse cidadão tem que ficar preso”, declarou. Ele argumentou que aprovar a lei logo após a condenação desmoralizaria a Justiça.

O presidente mencionou que uma anistia poderia ocorrer no futuro, como em outros momentos históricos. “Um belo dia pode ter uma anistia para ele, como teve depois de 1964, 15 anos depois”, ponderou. Mas enfatizou que não se pode “brincar de fazer julgamento”.

Comparações com governos anteriores

Lula criticou Bolsonaro por não aceitar a derrota eleitoral. “Ele tem vergonha porque tinha a máquina na mão e achou que ia ganhar as eleições. E quando perdeu não teve sequer a humildade de se comportar como alguém que perde”, disse.

Em discurso posterior, Lula anunciou comparações item por item entre sua gestão e as de Bolsonaro e Michel Temer (MDB). “Vamos comparar item por item, vamos dar números para que a gente não permita que a mentira outra vez neste país”, afirmou, preparando terreno para eleições futuras.

Evento de entrega de equipamentos na Bahia

Lula participou de cerimônia em Salvador para entrega de ambulâncias do Samu, Unidades Odontológicas Móveis e equipamentos para Unidades Básicas de Saúde em 402 municípios baianos. O investimento federal soma R$ 345 milhões, beneficiando saúde básica e emergencial.

Nos bastidores, o presidente posou para fotos com prefeitos e conversou com o senador Otto Alencar (PSD). Lula destacou a importância de investimentos sociais para combater desigualdades regionais.

Crise no PSD e declarações de aliados

O evento ocorre em meio a crise no PSD baiano, após rompimento do senador Angelo Coronel, que anunciou desfiliação e aproximação com a oposição. Otto Alencar reafirmou aliança com o PT desde 2010.

Em discurso, Alencar lembrou voto contra o impeachment de Dilma Rousseff. “Já sou acostumado a enfrentar conspiração e vou enfrentar qualquer conspiração que se promova contra o nosso projeto”, declarou, reforçando apoio a Lula.

Próximos compromissos do presidente

Pela tarde, Lula visita o Santuário de Santa Dulce dos Pobres, em Salvador, local simbólico de caridade e assistência social. No sábado (7), participa da celebração dos 46 anos do PT no Trapiche Barnabé, com encerramento pelo Cortejo Afro.

Os eventos na Bahia fortalecem a agenda do presidente no Nordeste, região de base eleitoral sólida para o PT, em meio a articulações políticas para 2026.

Contexto político das declarações

As falas de Lula ocorrem em ano pré-eleitoral, com foco em combater narrativas oposicionistas. Ele enfatizou: “Esse ano não é ano de eleição, é o ano da verdade. Nós vamos desmascarar essa gente, não ficará pedra sobre pedra”.

O presidente posiciona sua gestão como contraponto ao bolsonarismo, destacando investimentos sociais como as entregas na Bahia para contrabalançar críticas econômicas.

Por

Isadora Albernaz, João Pedro Pitombo | Folha de S. Paulo



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