O motorista que dirigia o ônibus escolar que tombou, deixando dois estudantes mortos, na manhã da terça-feira (1ª) na Paraíba é considerado um profissional experiente, tem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) compatível há dez anos, mas dirigia o veículo envolvido no acidente pela primeira vez. As informações foram confirmadas pelo delegado Basílio Rodrigues, da Polícia Civil da Paraíba, que foi o responsável por colher o depoimento do motorista.
O acidente aconteceu na rodovia estadual PB-077, na Ladeira do Espinho, entre Pilões e Cuitegi. O ônibus levava estudantes de Pilões para escolas em Guarabira, um trajeto de cerca de 20 km. O veículo tombou perto de uma ribanceira. Dois estudantes adolescentes, de 13 e 16 anos, morreram, e 31 pessoas ficaram feridas.
De acordo com Basílio, o motorista Alisson David Galdino do Nascimento apresentou a CNH na categoria D, que é a exigida para a condução de ônibus. O documento foi emitido pela primeira vez em 2015.
Ele disse também que, na versão do motorista, o que aconteceu foi a ruptura do balão do freio do veículo, que impediu que o veículo reduzisse a velocidade durante a descida da Ladeira do Espinho, na PB-077, onde o acidente aconteceu. Uma perícia vai se realizada na quinta-feira (3).
“Solicitamos que fosse feita uma nova perícia. Uma perícia complementar para que os peritos analisem as condições do veículo, se realmente houve a ruptura do balão de ar de freio. O tacógrafo vai dizer a velocidade que [o ônibus] desenvolvia”, disse o delegado.
Ainda de acordo com o depoimento, o motorista estaria conduzindo o veículo a uma velocidade de 30 km/h, mas depois que o problema mecânico foi registrado essa velocidade foi aumentando gradativamente.
Basílio Rodrigues não soube dizer se o fato do motorista não conhecer o veículo pode ter contribuído com o acidente. O motorista deve responder por homicídio culposo, e lesão corporal grave e leve
O delegado não falou sobre outras pessoas serem indiciadas. As investigações vão ter sequência na Delegacia de Pilões.
O motorista posteriormente precisou de atendimento no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. Segundo a unidade de saúde, ele passou por procedimentos médicos de emergência e segue internado em quadro clínico regular.
Ônibus não passou por vistoria
O ônibus escolar envolvido no acidente era alugado e não passou por vistoria, de acordo com o Detran-PB. Segundo o órgão, o veículo não foi levado à fiscalização, que deveria ter ocorrido em novembro.
Quando vistoriados e autorizados a circular, os veículos escolares recebem um selo do Detran-PB. Caso não possuam este selo atualizado, o transporte está proibido de transitar. “Uma vez não levado esse veículo à vistoria, ele não recebe o selo, então ele não pode transitar na via pública e pode ser apreendido em qualquer apreensão da PRF ou da PM”, alertou.
A promotora de Justiça Flávia Cristina ressaltou que essa vistoria torna os veículos autorizados a transitar, pois atesta que estão cumprindo todas as normas de segurança. “Todo veículo que transporta crianças e adolescentes, um transporte escolar, ele tem que passar por uma vistoria para que seja autorizado a transitar pelas vias, sejam rurais, sejam urbanas e o ter o selo do Detran autorizando”.
A Prefeitura de Pilões afirmou que o ônibus era alugado e, que quando o processo licitatório foi feito, havia a obrigação de que o proprietário do veículo mantivesse o veículo “em boas condições, com motorista habilitado”. A gestão não especificou qual empresa era responsável pelo transporte escolar.
A assessoria de comunicação da prefeitura de Pilões declarou, ainda, que vai instaurar um procedimento administrativo para apurar as causas do acidente. No entanto, reforça que o veículo havia passado por revisão recentemente.
Fonte: g1 PB