A nota emitida pela Secretaria de Saúde de Cubati, sobre o caso da criança autista que veio a óbito na última sexta-feira (17), na UBS do Alto dos Bentos, causou mais indignação na cidade.
O Se Liga PB tentou contato por vários momentos com a pasta, e não obteve um parecer, o que se obteve foi que seria emitida uma nota. A nota, que não era de esclarecimento, mas de pesar, foi emitida 4 dias depois e causou revolta, uma vez que, além de um grande silêncio por parte da gestão, a nota não trouxe justificativas ou providências a serem tomadas.
Jaqueline, mãe da criança, muito emocionada e abalada, relatou a nossa reportagem os momentos de angústia vividos diante da falta de assistência dada ao garoto, e denuncia que o menino foi vítima de negligência médica. Um Boletim de Ocorrência foi registrado na delegacia de Soledade, nesta segunda-feira (20), e a Polícia Civil deverá investigar o caso.
Jaqueline contou que entrou em contato com a secretária de Saúde de Cubati, Elaine Sousa, para um posicionamento diante do ocorrido, e desde o que aconteceu não obteve retorno. Ela disse que a secretária, mesmo estando online, não responde suas mensagens, e a nota emitida pela Secretaria é absurda, não esclarece ou pontua providencias.
“Eu não chamo isso de nota. Fico revoltada em ver que eles nem chegaram a falar se os médicos estão afastados, pelo menos até tudo se esclarecer, o que seria o mínimo que eles poderiam fazer. O pior de tudo é que meu filho amava de mais esse povo da Secretaria, amava conversar e brincar com eles, era como se eles fossem família dele”, desabafou.
Segundo ela, a Polícia Civil foi muito solícita e se prontificou a investigar o caso. Além do Boletim de Ocorrência feito pelos pais, o vereador de Cubati, Ramalho Silva, também encaminhou uma denúncia ao Ministério Público da Paraíba.
Confira a nota emitida pela Secretaria de Saúde de Cubati quatro dias depois:
Entenda o caso
Uma criança de 5 anos veio a óbito em uma UBS do município de Cubati, na última sexta-feira (17), e a mãe denuncia que houve negligência médica. Segundo relatou Jaqueline ao Se Liga PB, o menino, que se queixava de fortes dores e estava com febre, diarreia e tosse, foi levado para a UBS localizada no Enduro na quarta e na quinta-feira. Na sexta-feira (17), a mãe levou o garoto para a UBS do Alto dos Bentos, que funciona como hospital, onde o menino veio a óbito.
“Eu fiz tudo o que eu podia pelo meu filho. Meu filho estava doente desde o domingo e na quarta-feira fui com ele para o Hospital do Induro. O médico que atendeu disse que meu filho não estava sentindo dor nenhuma, e passou um xarope para tosse e remédio para diarreia. Vim para casa e na quinta meu filho ainda continuava muito doente, e eu como mãe, levei ele novamente”, disse.
O garoto era autista, e algumas crianças com autismo podem ter uma pré-disposição, uma vez que são mais suscetíveis, a ter problemas de saúde. A mãe contou que tentou falar que o filho tinha alguns problemas de saúde, para que se tivesse o devido cuidado diante dos sintomas que a criança estava sentindo, e segundo ela, não foi ouvida e o médico disse que o garoto não tinha nada, que a dor que estava se queixando ‘era coisa da cabeça dele’.
“Ele teve a coragem de olhar para a minha cara e dizer que eu tinha que ter paciência, porque era uma virose e não ia curar de um dia para o outro. Ele disse na minha frente que tudo que meu filho estava sentindo era coisa da cabeça dele, e o que poderia fazer era passar dipirona e outro xarope para tosse, porque meu filho não tinha nada. Ele praticamente chamou meu filho de louco”, contou.
A mãe disse também que pediu para a criança ser encaminhada para o Hospital de Picuí ou de Campina Grande, mas não teve o pedido atendido.
“Eu pedi, implorei, chorei tanto para que ele encaminhasse meu filho para Picuí e ele não mandou. Eles mediam a febre e não dava nada, só que meu filho suava muito, passava a noite inteira tossindo e se queixava de muita dor. Ele tava com anemia, sem comer desde o domingo e não passaram nem um soro. O médico veio ver como ele tava, falou com o menino, não falou nem comigo, e disse que não mandou nada para Picuí, debochando da minha cara”, afirmou.
Jaqueline viu seu filho desfalecer no local. Revoltada e emocionada, ela cobra providências e pede justiça, uma vez que o menino veio a óbito por pura negligência médica.
“Não quiseram mandar para Picuí e passaram uma nebulização. Eu mesma segurei meu filho nos braços. Eles deram nebulização com eu segurando ele, e ele nunca tinha tomado nebulização na vida. Quando a nebulização acabou senti meu filho afracando em meus braços, a enfermeira veio e levaram ele para a cama. Meu filho ainda tentou reagir, pedindo para ir para casa, e nisso ele foi se deitando, e eu do lado dele dizendo para ele se acalmar e que logo ele iria para casa, nisso desmaiou com olho aberto nos meus braços. Levaram ele para a emergência e o menino deu o último suspiro e eu comecei a passar mal ao ver o que estava acontecendo com meu filho, que sofreu tanto. Isso tudo foi culpa deles”, relatou muito emocionada e abalada.
Redação
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