Ansiedade e tristeza profunda em gestantes podem indicar Depressão Pós-Parto, diz psicóloga

A psicóloga destaca que o forte laço entre mãe e bebê pode servir como um fator de proteção para ambos, mas jamais poderá substituir um tratamento adequado.

22 de agosto de 2019   

Psicóloga, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental Raissa Nóbrega. (Foto: Divulgação)

Uma em cada quatro mulheres grávidas tem depressão pós-parto, revela a psicóloga, especialista em Terapia  Cognitivo-Comportamental Raissa Nóbrega, do Hapvida. O número é alarmante, quando também levado em conta as gestantes que desenvolvem a crises de ansiedade. “Esses casos passam às vezes despercebido, e é confundido  como um traço da personalidade  da mulher”, alerta.

Segundo a especialista, a depressão pós-parto tem início após a gestação. “É uma tristeza considerável que surge  aproximadamente 2 semanas após o parto. Estão presentes sintomas como irritabilidade, ansiedade e apatia, sentimentos de culpa,  de modo a se intensificarem ao longo da semana , interferindo na capacidade racional e funcional da mãe. Em casos como este, é imprescindível o uso de  psicoterapia associado a psicofármacos.  A psicóloga destaca que o forte laço entre mãe e bebê pode servir como um fator de proteção para ambos, mas jamais poderá substituir um tratamento adequado.

“A mulher começa sentir uma tristeza muito profunda, um vazio, uma perda de interesse, não só pelo bebê, mas como de todas as atividades diárias. Então ela não se preocupa mais em voltar para o emprego, em dar atenção ao marido, às atividades domésticas, ela vai perdendo o interesse por tudo”, ressalta. 

Raissa ainda sublinha que é importante diferenciarmos a Depressão Pós-parto da Tristeza Puerperal, sendo esta mais frequente, e relacionada, não apenas com as mudanças hormonais, mas também com a diminuição do sono e a mudança de rotina da mulher. Todavia, os sintomas de tristeza, apatia e irritabilidade são leves e somem no máximo em até 20 dias, sem precisar de tratamento.

A psicóloga enfatiza que é preciso ficar atento ao histórico de vida da gestante, como relatos de episódios de depressão em alguma fase da vida, além de fatores que aconteceram antes do parto, como gravidez não planejada, conflitos familiares e emocionais.

“É bom, de fato, caso ela (a grávida)  perceba mudanças no seu humor,  procurar por algum profissional para direciona-la a um tratamento. Casos de depressão pós-parto, se não tratado,  pode vir a se tornar crônico!”, alerta Raissa, acrescentando que, quando negligenciado, a mulher tem uma probabilidade de 30% de vir a desencadear nova crise de depressão futuramente, ainda mais intensa.

Apoio Familiar – Raissa Nóbrega lembra que o apoio da família, no momento da gestação, é imprescindível. Ela orienta que é preciso estar atento a sinais como a negligência com o bebê ou deixar de amamentá-lo.

“É preciso levar muito em conta os sinais da mulher, e o grau de dificuldades que ela vem apresentando diante daquele problema. Se começar a perceber essa alteração no quadro de humor, é preciso investigar se é caso de depressão”, ressalta a psicóloga.

Redação com Assessoria