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Pesquisa acadêmica conta a história dos monumentos de Campina Grande e suas disputas de memória

Na última quinta-feira (06), o jornalista e graduando do curso de História da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), André Gomes do Nascimento, apresentou seu Artigo Científico, que oferece um olhar aprofundado sobre os monumentos de Campina Grande e suas relações com a memória coletiva da cidade.

Orientado pelo Prof. Dr. Gildivan Francisco das Neves, da UEPB, o estudo percorre nove monumentos emblemáticos da cidade: Monumento aos Pioneiros, Monumento ao Sesquicentenário de Campina Grande, Monumento Farra da Bodega, Estátua de Vergniaud Wanderley, Monumento a João Carga D’Água, Estátua de João Pessoa, Estátua de Juscelino Kubitschek, Estátua de Argemiro de Figueiredo e o Monumento João Rique.

A pesquisa revela que muitos desses monumentos, apesar de representarem marcos históricos, são frequentemente ignorados pela população, apagados pelo crescimento urbano e pela indiferença coletiva. André Gomes argumenta que essa desconexão reflete um problema mais amplo de distanciamento entre a memória oficial e a memória social.

Um exemplo citado no trabalho é o Monumento João Rique, dedicado a um importante banqueiro da cidade. Segundo Gomes, a escolha do homenageado reflete a influência da elite econômica na construção da memória local. Embora tenha sido posicionado em um ponto estratégico do centro comercial da cidade, o monumento hoje passa despercebido, ofuscado pelo crescimento urbano.

Outro ponto discutido é o Monumento aos Pioneiros, que representa um índio, um tropeiro e uma catadora de algodão. Contudo, a população frequentemente se refere à obra como “Tropeiros da Borborema”, evidenciando o apagamento histórico das figuras indígena e feminina.

O trabalho também discute como a população resignifica certos espaços urbanos. Um exemplo citado é a Praça Clementino Procópio, onde a presença da estátua do ex-interventor Argemiro de Figueiredo, personagem histórico polêmico, contrasta com a ocupação popular da área por artesãos e comerciantes. Essa ocupação popular representa uma forma de ressignificação espontânea, contestando a narrativa histórica imposta pelo monumento.

*Repercussão Acadêmica*

A pesquisa recebeu elogios de especialistas. Para o professor Erik Brito, da UEPB e um dos responsáveis pela criação do Instituto do Patrimônio Histórico de Campina Grande, o estudo representa uma importante contribuição para a educação patrimonial da cidade. Segundo ele, “para que um monumento seja reconhecido como patrimônio histórico, é essencial que a sociedade o reconheça como tal, e este trabalho ajuda nesse processo”.

A professora Dra. Patrícia Cristina de Aragão, também da UEPB, destacou que a obra faz um “passeio nostálgico” pela história de Campina Grande e elogiou o embasamento teórico utilizado, afirmando que utilizará a pesquisa como referência em estudos sobre história local.

O orientador da pesquisa, Prof. Dr. Gildivan Francisco das Neves, ressaltou que a preocupação central do estudo foi compreender por que a população campinense tem pouco conhecimento sobre a história dos monumentos da cidade. A conclusão é que, em muitos casos, os cidadãos não se sentem representados por essas obras, resultando em um apagamento da memória coletiva.

*Disponibilidade do Trabalho*

O trabalho será depositado no acervo do Instituto Histórico de Campina Grande e será disponibilizado para consulta na Biblioteca da UEPB, além de estar acessível no site da universidade, contribuindo para futuros estudos sobre história e patrimônio cultural da cidade.

Assessoria

Redação

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