Carne de Sol de Picuí pode se tornar patrimônio imaterial da PB

A carme de Sol de Picuí já é tradicionalmente conhecida em todo a região e garante geração de emprego e renda e movimenta a economia do estado com a exportação do produto.

21 de outubro de 2019   

Os produtores e comerciantes que trabalham com a carne de sol de Picuí iniciaram uma campanha online com o objetivo de conseguir assinaturas para que o produto seja símbolo do patrimonial imaterial da Paraíba. A petição pública já registra mais de 176 assinaturas (confira aqui). A campanha é uma estratégia para recorrer da decisão da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) que considerou o projeto de Lei 711/2019, que torna a carne de sol de Picuí patrimônio imaterial do Estado, inconstitucional.

Segundo os comerciantes, o produto merece o reconhecimento, que irá agregar valor a carne de sol de Picuí. Segundo eles, a carme de Sol de Picuí já é tradicionalmente conhecida em todo a região e garante geração de emprego e renda e movimenta a economia do estado com a exportação do produto.
 
Os deputados Ricardo Barbosa (PSB), Felipe Leitão (Democratas) e Edmilson Soares (Podemos) consideraram que patrimônio gastronômico não tem funcionalidade prática, e assim, formando a maioria, votaram para considerar o projeto apresentado por Eduardo Carneiro inconstitucional.  O relator da matéria, Edmilson Soares, entendeu que o projeto seria inconstitucional por “afrontar o princípio da razoabilidade e proporcionalidade prática” e que “apenas contribuirá para a inflação legislativa sem funcionalidade prática”.
 
 “Lamentamos o uso do mandato por alguns parlamentares, acho que não por má fé, mas talvez por desconhecimento, no seu poder de legislar como um empecilho a atividade empreendedora no nosso Estado. Esse é um anseio antigo da população de Picuí que hoje possui mais de 65 restaurantes de filhos da cidade empregando gente pelo Brasil a fora. E essa declaração de patrimônio imaterial sobre a forma e tecnologia empregada para se fazer a carne de sol de forma diferenciada, geraria um ganho indescritível para a população da Paraíba como um todo”, disse o empresário Divanildo Júnior.
 
Divanildo, que é dono de uma rede de restaurantes que tem na carne de sol o seu ‘carro chefe’, acredita que a forma como o projeto foi tratado pela Assembleia trouxe um prejuízo muito grande não só para Picuí, mas para o turismo da Paraíba de uma forma geral. “Vivemos uma busca incessante pela geração de emprego e renda e esse seria um nicho de mercado bastante promissor e que, infelizmente, teve esse resultado na CCJ por uma canetada sem ouvir sequer os segmentos e a população”, lamentou.
 
Professores do Departamento de Gastronomia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) também questionaram e lamentaram a decisão da CCJ. “Foi com muito pesar que recebemos a notícia desta decisão. Conhecer a gastronomia de um lugar é valorizar a cultura de um povo. As investigações na gastronomia servem como fonte de conhecimento da identidade de um lugar de modo a perpetuar seus hábitos e costumes. Cerne de sol nós temos no Brasil inteiro, mas a carne de sol de Picuí, só temos na Paraíba, afinal Picuí está aqui no nosso estado e carrega em sua carne de sol características de qualidade reconhecidas por todo o Brasil”, destacou a nota de repúdio assinada pelas professoras Ingrid Conceição Dantas e Mônica Tejo.
 
Produção – Em todos os municípios paraibanos a presença da carne de sol é muito forte na vida das pessoas. Municípios como Picuí, utilizam a carne para movimentar a economia local na realização de festas que atraem turistas e geram emprego e renda. Anualmente, Picuí sedia o maior evento de cunho gastronômico do estado, o Festival da Carne de Sol, e por isso ganhou o título de a capital mundial da carne de sol.

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