O crescimento do endividamento das famílias e a dificuldade de consumidores em conseguir reorganizar a vida financeira estão entre as preocupações do Procon-PB. Durante entrevista ao programa Se Liga PB, nesta sexta-feira (14), o superintendente do órgão, Félix Neto, alertou para o avanço do superendividamento e destacou os projetos disponíveis para auxiliar consumidores na negociação de dívidas.
Segundo Félix Neto, muitas famílias acabam comprometendo grande parte da renda com empréstimos, juros e outras obrigações financeiras. Diante desse cenário, o Procon-PB mantém um núcleo criado justamente para orientar e auxiliar consumidores que já não conseguem administrar os próprios compromissos.
O superintendente explicou que, em muitos casos, o consumidor não possui informações suficientes para negociar com bancos e outras instituições financeiras e acaba aceitando condições que podem agravar ainda mais a situação.
“O Procon Paraíba se propõe a chamar essas pessoas para que a gente possa auxiliar com profissionais, com técnicos preparados para ajudar nesse processo de negociação com os bancos”, disse.
Félix destacou que o superendividamento não está relacionado apenas à falta de organização financeira. Segundo ele, consumidores também podem ser vítimas de juros elevados e condições de crédito que dificultam a quitação das dívidas.
“A gente vê juros abusivos, juros altos. E a gente pode auxiliar as pessoas para tirar desse precipício do superendividamento”, afirmou.
Na avaliação do superintendente, a dificuldade financeira pode se agravar quando o consumidor recorre a novos empréstimos para pagar dívidas antigas, criando um ciclo difícil de interromper.
Por isso, a orientação do Procon é que consumidores que estejam enfrentando dificuldades procurem o órgão antes que a situação se torne ainda mais grave.
Desenrola Brasil 2.0
Durante a entrevista, Félix Neto também chamou atenção para programas de renegociação de dívidas que podem beneficiar consumidores inadimplentes.
Entre eles está o Desenrola Brasil 2.0, citado pelo superintendente como uma oportunidade para pessoas que se enquadram nos critérios do programa renegociarem seus débitos.
“Pode procurar o Procon e a gente pode ajudar no sentido de negociar essas dívidas”, pontuou.
A renegociação pode representar uma redução significativa no peso das parcelas, principalmente quando há uma diferença expressiva entre os juros originalmente cobrados e as condições oferecidas na negociação.
Desenrola 3.0 atende trabalhadores autônomos
Outro programa apresentado pelo superintendente foi o Desenrola 3.0, que, segundo ele, tem como público inicial trabalhadores autônomos e informais que enfrentam dificuldades financeiras.
Ele explicou que há situações em que o consumidor possui diferentes contratos de empréstimo e acumula dívidas em várias instituições, tornando o pagamento praticamente inviável.
A proposta, conforme explicou Félix, é possibilitar melhores condições de pagamento e redução dos juros, permitindo que o trabalhador tenha mais condições de reorganizar a própria vida financeira.
Apostas também entram no alerta sobre endividamento
Félix Neto também relacionou o crescimento do superendividamento ao avanço das apostas online. Segundo ele, há consumidores que começam apostando valores pequenos e, diante das perdas, passam a aumentar os valores ou recorrer a empréstimos para continuar jogando.
“Esse tipo de jogo é para perder realmente e tem sido um dos elementos que levam ao superendividamento”, alertou.
O superintendente afirmou que o problema exige orientação e educação financeira, principalmente porque muitas pessoas acabam confundindo apostas com uma forma de investimento.
Para Félix Neto, a prevenção precisa começar com informação para que o consumidor compreenda os riscos antes de comprometer a própria renda.
Educação financeira como ferramenta de prevenção
O superintendente defendeu ainda que a educação financeira seja trabalhada desde os primeiros anos de formação escolar. Segundo ele, boa parte da população adulta não recebeu esse tipo de orientação durante a vida escolar.
Nesse sentido, o Procon-PB pretende desenvolver ações em parceria com instituições de ensino, envolvendo estudantes e professores para levar informações sobre organização financeira, consumo consciente e prevenção ao endividamento.
A proposta é fazer com que a educação financeira não seja utilizada apenas para resolver problemas depois que as dívidas aparecem, mas também como instrumento de prevenção.
Procon orienta consumidores
Félix Neto reforçou que consumidores que estejam enfrentando dificuldades para pagar suas dívidas não devem esperar a situação chegar ao limite para buscar ajuda.
“A gente está chamando essas pessoas para que a gente possa auxiliar, para que a gente possa colaborar nesse sentido”, frisou.
O Procon-PB disponibiliza orientação para consumidores que precisam entender seus direitos, negociar débitos e buscar alternativas para reorganizar a vida financeira.
O alerta do órgão é para que o consumidor evite contrair novas dívidas para quitar compromissos antigos sem antes analisar as condições oferecidas e procure orientação especializada sempre que perceber que as parcelas já comprometem uma parcela significativa da renda familiar.
Redação












