Seca ameaça lavouras na Paraíba e coloca agricultura familiar em alerta

O cenário preocupa principalmente produtores do Sertão, onde a falta de água já comprometeu o desenvolvimento de lavouras.

Publicado: 08/10/2026

Foto: Freepik



A agricultura familiar da Paraíba enfrenta mais um período de alerta diante do avanço da seca e da irregularidade das chuvas. O cenário preocupa principalmente produtores do Sertão, onde a falta de água já comprometeu o desenvolvimento de lavouras de feijão-caupi, feijão-cores e milho, culturas importantes para a alimentação e a renda das famílias rurais.

O mais recente balanço do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), referente a setembro de 2026, aponta que a Região Nordeste concentra a maior parte dos municípios brasileiros classificados nos níveis mais elevados de risco de seca. Dos 170 municípios em risco alto, 131 estão no Nordeste. Outros 27 chegaram ao nível de risco muito alto, sendo 26 na região.

A Paraíba está inserida nesse cenário de preocupação. Segundo informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) citadas no levantamento, a escassez hídrica e a distribuição irregular das chuvas no Sertão prejudicaram a segunda safra de feijão-cores, feijão-caupi e milho, deixando áreas cultivadas em condições regulares ou ruins.

O principal problema para os agricultores está na ocorrência da estiagem durante fases consideradas críticas para o desenvolvimento das plantas. A falta de umidade durante a floração e o enchimento dos grãos, por exemplo, pode reduzir significativamente o potencial de produção.

No caso da agricultura de sequeiro, a situação é ainda mais delicada. Sem sistemas de irrigação, os produtores dependem diretamente da regularidade das chuvas para garantir o desenvolvimento das lavouras.

Com a distribuição irregular das precipitações, mesmo quando ocorre chuva, o volume pode não ser suficiente para recuperar a umidade do solo e assegurar o ciclo produtivo das culturas.

Os números do Cemaden mostram que a situação se agravou em relação ao mesmo período do ano passado.

Para as lavouras iniciadas em julho, o país tinha, em 2025, 32 municípios classificados em risco alto de seca e nenhum em risco muito alto. Em setembro de 2026, eram 170 municípios em risco alto e outros 27 em risco muito alto.

A maior concentração desses municípios está justamente no Nordeste, região que historicamente enfrenta os maiores desafios relacionados à disponibilidade de água e à produção agrícola em áreas de sequeiro.

Na Paraíba, a situação exige atenção principalmente nas áreas rurais do Sertão, onde a agricultura familiar possui forte dependência das condições climáticas.

A combinação entre pouca chuva, altas temperaturas e baixa disponibilidade de água pode provocar impactos que vão além da redução da produtividade. Uma safra comprometida significa menos alimentos produzidos, redução da renda das famílias e maior necessidade de apoio aos agricultores.

O problema também pode atingir a criação de animais, já que a estiagem reduz a disponibilidade de pastagem e de água para o rebanho.

O Cemaden utiliza o Índice Integrado de Seca (IIS) para acompanhar a severidade do fenômeno. O indicador reúne informações sobre chuva, umidade do solo e condições da vegetação para identificar áreas que apresentam maior risco de impactos agrícolas.

Esse acompanhamento é importante para que medidas de prevenção e assistência possam ser direcionadas aos municípios mais vulneráveis.

Para a Paraíba, o monitoramento ganha importância diante da dependência de milhares de agricultores das chuvas para produzir milho e feijão. A adoção de medidas de convivência com o semiárido, armazenamento de água, assistência técnica e tecnologias adaptadas às condições climáticas pode ajudar a reduzir os impactos de novos períodos de estiagem.

O alerta, portanto, não se resume à safra atual. O avanço da seca reforça a necessidade de planejamento e políticas permanentes para fortalecer a agricultura familiar paraibana diante das mudanças no regime de chuvas e dos períodos cada vez mais críticos de estiagem.

PB Agora, com informações do Brasil 61 / Cemaden / Conab



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