Violência sexual contra adolescentes cresce no Brasil, aponta IBGE

O levantamento, que abrange alunos de escolas públicas e particulares, revela que 9% dos adolescentes entre 13 e 17 anos afirmam já ter sido forçados a manter relações sexuais.

Publicado: 26/03/2026

Foto: Elza Fiuza / Agência Brasil



A Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) 2024, divulgada nesta quarta-feira (25) pelo IBGE, apresenta um cenário alarmante sobre a integridade física e psicológica dos estudantes brasileiros. O levantamento, que abrange alunos de escolas públicas e particulares, revela que 9% dos adolescentes entre 13 e 17 anos afirmam já ter sido forçados a manter relações sexuais. O índice demonstra um crescimento preocupante em comparação aos dados de cinco anos atrás, quando o percentual registrado era de 4%.

O impacto emocional dessas violações é profundo e complexo. Segundo a psicóloga Luciene Figueiredo, a ausência de amadurecimento emocional torna o enfrentamento do trauma ainda mais difícil para os jovens. “Podemos ter situações de vergonha, silenciamento e ansiedade social”, explica a especialista, ressaltando que o dano muitas vezes compromete o desenvolvimento saudável do adolescente.

Bullying e os sinais de alerta nas escolas

Além da violência sexual, o estudo do IBGE aponta que o bullying continua sendo um desafio crítico no ambiente educacional. Cerca de 27% dos adolescentes relataram ter sofrido algum tipo de humilhação sistemática dentro das instituições de ensino, sendo as meninas as principais vítimas. A violência muitas vezes manifesta-se de forma velada, através de “brincadeiras” que excedem limites ou apelidos pejorativos.

A psicopedagoga Solange Argollo destaca que os sinais de que um estudante está sofrendo agressões podem variar drasticamente. Enquanto alguns adotam um comportamento passivo, de introspecção e isolamento, outros transformam o sofrimento em agressividade, tanto no ambiente escolar quanto no familiar. Identificar esses sinais precocemente é fundamental para interromper o ciclo de violência.

Redes de apoio e diálogo em Salvador

Em Salvador, unidades da rede pública de ensino têm transformado o enfrentamento ao bullying e à violência em parte da rotina pedagógica. Projetos que envolvem rodas de conversa e o fortalecimento de redes de apoio buscam criar um ambiente de acolhimento. A coordenadora pedagógica Dilnay Pereira observa que o foco na identidade e no diálogo gera mudanças significativas no comportamento e no rendimento escolar dos alunos.

BAND.COM



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