Pintora cadeirante sonha fazer exposição e vender as obras para custear tratamento

Há dois anos, Larissa descobriu na arte de pintar uma grande aliada para enfrentar pensamentos negativos e ocupar a mente com a beleza das cores e formas.

8 de maio de 2018   

A vida de Larissa Carvalho não é como a de outras jovens da idade dela. A estudante já esteve, muitas vezes, entre a vida e a morte.Larissa tem 25 anos e sofre de Mielomeningocele, um tipo mais grave de espinha bífida, no qual os ossos da coluna vertebral não se desenvolvem adequadamente durante a gestação, causando o aparecimento de uma bolsa nas costas que contém a medula, nervos e líquido.

O surgimento da bolsa do Mielomeningocele faz com que se perca a sensibilidade e função dos membros inferiores. Não há cura, pois, embora seja possível reduzir a bolsa com cirurgia, as lesões provocadas pelo problema não podem ser revertidas completamente.

A jovem é de Recife (PE) e mora há oito anos em Campina Grande, onde vive com os pais, Paulo Alexandre e Dione Carvalho.Larissa já passou por mais de 20 cirurgias, necessárias para melhorar a qualidade de vida dela. Em muitas dessas situações, correu risco de morte.

A mãe de Larissa, a dona de casa Dione Carvalho relata que sempre é surpreendida pela força e a vontade de viver da filha. “Já pensei, muitas vezes, que minha filha não voltaria comigo para casa e ela consegue superar cada uma das etapas mais difíceis”, diz emocionada.

Mas, se engana quem pensa que a realidade de Larissa é diferente das outras jovens, só por causa da doença, que a prende a uma cadeira de rodas.Larissa, mesmo com a mobilidade reduzida não se acomoda e luta pelo que quer e acredita, o que a faz ter uma rotina cheia de atividades.

Atualmente, ela é universitária, do curso de Letras – Libras, inclusive, a estudante já concluiu um curso de formação, tornando-se intérprete da Língua Brasileira de Sinais. Também fez aulas de inglês e até de dança, para cadeirantes.Há dois anos, Larissa descobriu na arte de pintar uma grande aliada para enfrentar pensamentos negativos e ocupar a mente com a beleza das cores e formas.

E o que começou como terapia ocupacional, atualmente pode se tornar um meio de Larissa conseguir recursos para seu tratamento de saúde.As telas com temas de natureza, pintura abstrata e religiosa estão espalhadas pela casa da estudante.

O sonho da jovem, agora pintora, é conseguir expor suas telas para colocá-las à venda. Os recursos vão ser usados para pagar as sessões de terapia.“Quanto estou pintando sinto calma, sinto que sou capaz. É extensão da minha terapia psicológica, mas também é uma entrega para quem vai apreciar a minha arte”, afirma Larissa.

Mesmo sem previsão de expor os trabalhos, Larissa Carvalho já está disponibilizando as telas para venda. Os valores são a partir de R$ 100. A pintura é a óleo sobre tela. Os interessados podem entrar em contato com ela pelo telefone: 99922-6864.

Para Larissa, qualquer sofrimento pode e deve ser enfrentado. “Não importa como você anda, seja engatinhando, seja de muletas ou na cadeira de rodas, o importante é chegar onde você quer, cumprir com seu objetivo e ser feliz”, diz a jovem.

*texto da jornalista Mônica Victor, da TV Itararé e Rádio Caturité