Gleice, de 33 anos, mãe de Letícia (7 anos, autista nível 3 de suporte, não verbal, com deficiência intelectual) e Isabela (5 anos), relata os desafios diários de cuidados com a filha mais velha. A rotina inclui crises frequentes, destruição de objetos e atenção constante, levando a cansaço extremo e sobrecarga emocional (assista o vídeo abaixo).
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A realidade da maternidade atípica
Letícia exige cuidados incessantes: rasga fraldas, roupas, colchões e móveis, morde a si mesma e à mãe quando frustrada, e tem seletividade alimentar, o que obriga trancar a geladeira com cabo de aço para evitar desperdícios e acidentes. A criança usa quatro medicamentos regulares e uma medicação SOS para crises, mas ainda assim aguenta apenas um dia na escola por semana devido a episódios intensos.
Gleice descreve o lar como um ambiente adaptado para segurança: detergentes, shampoos e banheiros trancados para prevenir derramamentos ou riscos. A mãe relata já ter trocado quatro sofás, camas quebradas e colchões rasgados desde janeiro, destacando o impacto financeiro e físico dessa rotina.
Falta de inclusão e suporte estrutural
Apesar de ordem judicial desde 2023 para mediador escolar, Letícia não tem o apoio necessário, o que limita sua frequência na escola. Gleice critica a invisibilidade social das famílias atípicas: “Se fala muito em inclusão, mas a verdade mesmo, a realidade de quem vive, eu não vejo inclusão nenhuma”. Ela questiona elogios como “guerreira”, argumentando que não há escolha além de cuidar, mas cobra empatia real.
A mãe enfrenta dificuldades para continuar a faculdade e estagiar, sem saber com quem deixar a filha. A sétima CRE (Coordenadoria Regional de Educação) e a prefeitura são citadas por não darem posição sobre o mediador, contrastando com discursos oficiais de inclusão.
Saúde mental e críticas à romantização
Gleice consome medicamentos para ansiedade e insônia devido ao estresse constante. Ela vê a mente “não aguentar” o cansaço extremo, com dias piores marcados por regressões no progresso de Letícia, apesar de tratamentos desde os 2 anos, incluindo dietas sem glúten e lactose.
O relato critica a romantização do autismo em publicações: “Cadê essa romantização toda? O que acontece é mais ansiedade, remédio pra dormir”. Gleice ama incondicionalmente a filha e faria tudo por ela, mas apela por centros de tratamento especializados para crianças com alto suporte, para aliviar o sofrimento diário.
Clamor por mudanças e action points
O depoimento é uma voz coletiva de milhares de mães, clamando por políticas efetivas. O texto sugere action points: criar centros especializados com terapias adequadas; oferecer suporte psicológico para cuidadores; garantir mediadores escolares; promover conscientização social para empatia; facilitar acesso a equipamentos de segurança; e apoiar continuidade educacional para mães, com programas flexíveis.
Essas medidas visam reformular estruturas para assistir famílias atípicas, reconhecendo o impacto no bem-estar e na qualidade de vida.
Contexto mais amplo e desdobramentos
No Brasil, famílias de crianças autistas enfrentam barreiras semelhantes, com leis como a LBI (Lei Brasileira de Inclusão) nem sempre implementadas. O relato de Gleice reforça a necessidade de visibilidade para níveis severos de autismo, onde avanços são mínimos e regressões comuns.
Futuramente, o apelo pode impulsionar campanhas e audiências públicas. A conscientização, sem romantização, é essencial para um olhar mais humano das autoridades, promovendo inclusão real e suporte efetivo.










