Dono de pizzaria é indiciado por vender alimentos impróprios após morte e mais de 100 casos de intoxicação na Paraíba

Polícia Civil revelou a causa da morte da mulhe, além de informações relacionadas a bactérias encontradas nas pizzas consumidas por mais de 100 pessoas.

Publicado: 17/04/2026

Foto: Reprodução



A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte de uma mulher e internação de mais de 100 pessoas com casos de intoxicação alimentar após comerem em uma pizzaria na cidade de Pombal, no Sertão da Paraíba. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (17). De acordo com a Polícia Civil, o dono do estabelecimento, Marcos Antônio, foi indiciado pelo crime de vender alimentos impróprios para o consumo.

O g1 entrou em contato com a defesa do proprietário do estabelecimento, que disse não ter dito acesso ao inquérito pelo sistema eletrônico e que vai se pronunciar quando houver esse acesso.

Os laudos periciais do Instituto da Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB) também foram divulgados e confirmaram a presença de contaminação bacteriana em exames realizados nas vítimas, além de apontarem que o óbito da mulher aconteceu em decorrência de infecção intestinal aguda grave. Os exames descartaram a presença de substâncias tóxicas exógenas, como venenos ou entorpecentes.

Também foi divulgado o resultado de exames nos alimentos consumidos na pizzaria no dia 15 de março. Esses exames identificaram a presença de bactérias como Escherichia coli e estafilococos coagulase no molho de tomate e nas pizzas analisadas. Já a carne, quando examinada ainda na origem, não apresentou contaminação, indicando, segundo a Polícia Civil, que o problema ocorreu durante o processo de manipulação dos alimentos dentro da pizzaria.

De acordo com a investigação, “não foi possível” individualizar eventual conduta criminosa que tenha causado diretamente a contaminação. Por isso, o inquérito concluiu por não ser possível atribuir o resultado morte ou as lesões às vítimas ao proprietário do estabelecimento ou outras pessoas.

A pizzaria La Favoritta permanece interditado pela Vigilância Sanitária, e a Polícia Civil também representou pela interdição judicial do estabelecimento. O inquérito foi encaminhado para a Justiça da Paraíba, que vai decidir dar encaminhamento ou não.

Entenda o caso de intoxicação de mais de 100 pessoas

O surto aconteceu entre a noite de 15 de março e o dia 16, causou a morte da servidora municipal Rayssa Maritein Bezerra e Silva, de 40 anos. Outras 117 pessoas que comeram na pizzaria procuraram atendimento médico com sintomas como náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais.

O laudo foi obtido inicialmente pela reportagem da Rádio CBN e, no dia 28 de março, foi detalhado pelo secretário de Saúde da Paraíba, Ari Reis, em entrevista à TV Cabo Branco.

Procurada, a Polícia Civil da Paraíba confirmou que recebeu o resultado do Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba, mas não divulgou detalhes do conteúdo e informou que aguarda a conclusão dos demais laudos antes de se pronunciar.

A mulher que morreu após comer em uma pizzaria foi identificada como Raíssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos. Na noite do dia 15 de março, um domingo, ela foi para o estabelecimento com o namorado comer uma pizza de carne de sol. O namorado passou por atendimento após comer o alimento, mas não teve mais problemas graves na saúde.

Raíssa Maritein era engenheira agrônoma, servidora pública e descrita por familiares como alguém que era ‘alegre e acolhedora’.

“Era uma pessoa alegre, simples, acolhedora. Raíssa era servidora pública, engenheira agrônoma, não tinha filhos e não era casada. (Era) divertida”, disse a prima de Raíssa, Izabele Freitas.

Em nota, o Hospital Regional de Pombal afirmou que a “paciente apresentou rápida evolução clínica, sendo prontamente assistida pela equipe médica e encaminhada à Unidade de Terapia Intensiva (UTI), já em estado geral gravíssimo, com sinais compatíveis com um quadro infeccioso grave”.

Ainda no domingo, após retornarem para casa, os dois começaram a passar mal e foram para o Hospital Regional, receberam atendimento e foram liberados. No entanto, na manhã da segunda-feira (16), a mulher deu entrada novamente na unidade de saúde, onde permaneceu internada até vir a óbito na terça-feira (17).

Em um vídeo enviado ao g1 pela advogada Raquel Dantas, que representa Marcos Antônio, dono do estabelecimento, ele disse que lamenta a morte da mulher e todo o transtorno causado para as pessoas que tiveram que passar por atendimento médico.

Segundo o Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol), exames toxicológicos ainda estão em andamento e devem ajudar a esclarecer a causa da morte. A análise inicial do corpo, de acordo com o diretor do núcleo de Cajazeiras, o perito Luiz Rustenes, não encontrou alterações características de intoxicação alimentar nos órgãos de Raíssa.

Por g1 PB



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