Levantamento divulgado nesta sexta-feira (19) revelou que o país ainda convive com um grave desafio social: cerca de 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade não sabem ler nem escrever. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação 2025 repassados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento mostra que a taxa de analfabetismo no Brasil é de 4,9% da população com 15 anos ou mais, mas os números revelam profundas desigualdades regionais, raciais e etárias.
Nordeste concentra mais da metade dos analfabetos do país
Dos 8,4 milhões de brasileiros analfabetos, 4,8 milhões vivem na Região Nordeste, o equivalente a 57,4% de todos os casos registrados no país.
Os dados reforçam a persistência das desigualdades educacionais entre as regiões brasileiras, especialmente em áreas historicamente marcadas por dificuldades de acesso à educação formal.
Maioria dos analfabetos é formada por idosos
O analfabetismo atinge principalmente a população mais velha. Segundo o IBGE, 4,8 milhões de analfabetos têm 60 anos ou mais, representando 58% de todos os brasileiros que não sabem ler e escrever.
A taxa de analfabetismo nessa faixa etária chega a 14,9%, percentual muito superior ao registrado entre os grupos mais jovens.
Quando considerados apenas os brasileiros entre 15 e 59 anos, a taxa cai para 2,6%, demonstrando que as novas gerações tiveram maior acesso à alfabetização durante a infância.
Desigualdade racial permanece elevada
O estudo também aponta diferenças significativas entre grupos raciais. Entre os idosos com 60 anos ou mais, a taxa de analfabetismo entre pessoas pretas ou pardas é de 20,6%, quase três vezes superior à registrada entre pessoas brancas, que alcança 7,3%.
As disparidades também aparecem nos níveis de escolaridade. Entre as pessoas com 25 anos ou mais, 64,9% dos brancos concluíram ao menos a educação básica obrigatória, enquanto o percentual entre pretos e pardos é de 51,3%.
Mulheres apresentam melhores índices educacionais
Entre a população com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo é de 4,6% entre as mulheres e de 5,2% entre os homens.
Além disso, as mulheres também apresentam maior nível de escolaridade. Em 2025, 59,4% das mulheres com 25 anos ou mais haviam concluído a educação básica, contra 55,2% dos homens.
De acordo com o IBGE, os dados indicam avanços na escolarização feminina ao longo das últimas décadas e uma redução das desigualdades históricas de acesso à educação.
Mais de 7 milhões de jovens não concluíram o ensino médio
O levantamento revela ainda que 7,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos não concluíram o ensino médio em 2025, seja por abandono escolar ou por nunca terem frequentado a escola.
Desse total, 59,8% são homens e 72,8% são pretos ou pardos.
Ao serem questionados sobre os motivos para abandonar os estudos, 43% apontaram a necessidade de trabalhar como principal razão. Em segundo lugar aparece a falta de interesse em estudar, mencionada por 25,6% dos entrevistados.
Quase um em cada cinco jovens não trabalha nem estuda
Outro dado que chama atenção é o número de jovens que estão fora da escola e do mercado de trabalho. Em 2025, o Brasil tinha 46,6 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos, das quais 17,5% não trabalhavam, não estudavam nem participavam de cursos de qualificação profissional.
Os números evidenciam que, embora o acesso à educação tenha avançado nas últimas décadas, o Brasil ainda enfrenta desafios significativos para erradicar o analfabetismo, reduzir a evasão escolar e garantir oportunidades educacionais para milhões de cidadãos.
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