Aluna de escola integral de Montadas/PB conquista 940 no Enem estudando apenas pelo YouTube

Ex-aluna da ECI Maria José de Souza, onde concluiu o Ensino Médio em 2025, Gabriela alcançou 940 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) após uma preparação feita, majoritariamente, por meio de conteúdos disponíveis gratuitamente no YouTube.

Publicado: 17/01/2026

Foto: Reprodução



Aos 18 anos, a jovem Gabriela Marques, natural de Montadas, no Agreste paraibano, mostrou que disciplina, fé e acesso à educação gratuita podem transformar realidades. Ex-aluna da ECI Maria José de Souza, onde concluiu o Ensino Médio em 2025, Gabriela alcançou 940 pontos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) após uma preparação feita, majoritariamente, por meio de conteúdos disponíveis gratuitamente no YouTube.

O resultado surpreendeu a própria estudante. “No primeiro momento, eu fiquei paralisada, em choque, porque não estava esperando. Só foi cair a ficha na manhã seguinte e, logo depois, veio a felicidade”, relembrou a estudante.

A decisão de estudar sem cursinho presencial surgiu diante das dificuldades de conciliar a rotina de uma escola de tempo integral com aulas extras. Ainda no início da preparação, Gabriela resolveu testar uma alternativa. “Procurei os assuntos do Enem pelo YouTube e me deparei com diversos materiais e professores ótimos. Quando vi que estava aprendendo sem a ajuda de um cursinho, decidi continuar assim, sem pagar nada. Não me arrependo”, afirmou.

Para a redação, uma das áreas de maior destaque no desempenho, Gabriela recorreu a canais especializados. Demais matérias eram estudadas de forma mais pontual, conforme a necessidade, porém também em fontes específicas é de credibilidade. A rotina, no entanto, estava longe de ser fácil.

“Era cansativo. Eu só tinha a noite para estudar e, muitas vezes, conseguia apenas duas horas ou só estudava no fim de semana. Teve semanas em que eu simplesmente não consegui estudar para o Enem”, relatou. Mesmo assim, ela encontrou no próprio quarto e no silêncio um ambiente ideal.

“Gosto de estudar sozinha, então não senti falta de cursinho presencial. Me senti mais confortável no meu espaço”, destacou.

Entre os maiores desafios estavam Biologia e Química, disciplinas que, segundo Gabriela, sempre foram um “tabu”. Revisão constante e prática foram essenciais para superar as dificuldades. Já na redação, a virada de chave veio com a criação de um método próprio. “Montar o meu próprio esqueleto foi essencial. Ter um modelo que eu conseguisse encaixar em qualquer tema me ajudou a escrever de forma consistente”, explicou.

Ela também destacou a importância das aulas de redação oferecidas na escola e o apoio de uma professora que marcou sua trajetória. Apesar do bom desempenho, o caminho foi marcado por inseguranças. A ausência de um cronograma de estudos no início e a pressão do estudo independente geraram ansiedade. “Ficava pensando se estava fazendo do jeito certo, se era suficiente. Teve momentos em que eu não conseguia nem pegar no caderno de tanto nervosismo”, confessou.

O apoio mais firme veio de casa. “Minha mãe me deu todo o suporte que eu precisava. Ela foi fundamental para que eu não desistisse”, disse.

Para Gabriela, a internet tem um papel transformador na educação.

“Ela democratiza o acesso ao conhecimento, oferece flexibilidade de horários e diversos formatos de aprendizado. Mas isso precisa vir acompanhado de políticas públicas e inclusão digital, porque nem todo mundo tem acesso à internet ou a equipamentos”, pontuou.

Agora, com a nota em mãos, a jovem planeja lançar o resultado no Sisu e tentar uma vaga na Faculdade Nacional de Direito (FND/UFRJ). Nascida no Rio de Janeiro, ela nutre o sonho de voltar à cidade onde viveu até os oito anos. “Sempre tive o desejo de retornar ao RJ para estudar”, afirmou.

Para outros estudantes que enfrentam dificuldades semelhantes, Gabriela deixa uma mensagem de fé e perseverança, inspirada em uma música que a acompanhou durante a preparação: “A fé na vitória tem que ser inabalável. Em momentos de angústia, você precisa acreditar que, no final, tudo vai valer a pena.”

Redação



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