Após ter projeto aprovado e vetado, Kátia vê Executivo reapresentar proposta semelhante em Montadas

O Projeto de Lei nº 28/2026, de autoria de Kátia, instituiu o Programa Municipal de Apoio às Mães Atípicas.

Publicado: 26/08/2026

FOTO: REPRODUÇÃO/SE LIGA PB



Um projeto apresentado pela vereadora Kátia Silva (MDB), voltado ao apoio às mães atípicas de Montadas, virou motivo de incômodo político após uma sequência que chamou atenção dentro do Legislativo municipal: a proposta passou pelas comissões, foi aprovada por unanimidade pelos vereadores, acabou vetada pelo prefeito Romero Martins (PSD) e, posteriormente, o mesmo tema retornou à Câmara por iniciativa do próprio Poder Executivo.

O Projeto de Lei nº 28/2026, de autoria de Kátia, instituiu o Programa Municipal de Apoio às Mães Atípicas. A Câmara registra oficialmente que a proposta e duas emendas apresentadas ao texto foram aprovadas por unanimidade na sessão do dia 3 de agosto. (montadas.pb.leg.br⁠).

Depois da aprovação, Romero vetou a proposta. A justificativa apresentada pelo Executivo foi de natureza jurídica: segundo a gestão, dispositivos do projeto atribuiriam responsabilidades a órgãos da administração municipal e, por isso, a iniciativa deveria partir do chefe do Executivo.

O episódio, no entanto, ganhou um novo capítulo. O prefeito encaminhou à Câmara o Projeto de Lei nº 31/2026, que institui uma Política Pública Municipal de Apoio às Mães Atípicas e aos Cuidadores Primários. O texto prevê acolhimento, suporte emocional e psicológico, orientação e inclusão social para famílias de pessoas com deficiência, TEA, síndromes, doenças raras e outras condições que demandem cuidados continuados.

E há um detalhe importante: o próprio Executivo reconhece oficialmente que a matéria já havia sido objeto do PL nº 28/2026, de autoria de Kátia Silva, chegando a registrar no documento o mérito e a sensibilidade social da iniciativa da vereadora.

Na justificativa da nova proposta, a Prefeitura sustenta que decidiu assumir a iniciativa para sanar os problemas jurídicos apontados no projeto anterior. O documento utiliza, inclusive, a expressão de que o Executivo está “reapresentando a matéria”, agora com uma estrutura que considera juridicamente adequada.

Os textos não são idênticos e a versão do Executivo acrescenta dispositivos administrativos, orçamentários e relacionados à execução da política pública. Ainda assim, existem semelhanças evidentes quanto ao objeto, aos beneficiários e a várias das ações propostas.

Foi essa sequência que provocou a reação de Kátia. Em contato com o Se Liga PB, a parlamentar demonstrou indignação e lamentou o que considera falta de sensibilidade na condução de uma pauta de grande importância social.

A vereadora não acusa o prefeito de copiar seu projeto e também não aponta a existência de qualquer ilegalidade. Sua crítica está no campo político: depois de trabalhar uma proposta, vê-la percorrer o Legislativo e conquistar aprovação unânime, Kátia assistiu ao texto ser vetado e, pouco depois, ao tema retornar à Câmara pelas mãos do Executivo.

Para a parlamentar, o episódio deixa uma reflexão sobre até que ponto as diferenças políticas podem interferir em pautas que deveriam ter como prioridade o interesse coletivo.

Do ponto de vista documental, o cenário está posto: Kátia apresentou a proposta primeiro, a Câmara a aprovou por unanimidade, o prefeito a vetou sob justificativa jurídica e o próprio Executivo posteriormente reconheceu a iniciativa da vereadora ao reapresentar a matéria.

Se Liga PB



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