‘Brutal violência’, diz juíza ao manter prisão de pais suspeitos de matar bebê com mais de 20 golpes de faca, na Paraíba 

Crime aconteceu na cidade de Patos, na quarta (14) e pai e mãe da criança estão presos. Eles podem responder por homicídio qualificado e foram encaminhados para presídios, no Sertão.

Publicado: 16/10/2026

Foto: Reprodução/TV Sol



A juíza Venessa Moura Pereira de Cavalcante, responsável pela condução da audiência de custódia de Marcos Gabriel Santos Pacheco e Mirelly Laila Lucena, pai e mãe suspeitos de matar o próprio filho, um bebê de 23 dias de vida, a facadas, classificou o crime como sendo de “brutal violência” no termo em que converteu a prisão em flagrante de ambos em preventiva. O g1 teve acesso ao documento nesta sexta-feira (16).

“Recém-nascido indefeso com 23 dias de existência, no leito doméstico, com emprego de brutal violência e meio manifestamente cruel. Tais peculiaridades evidenciam reprovabilidade excepcional decorrente do próprio modus operandi”, escreveu.

A juíza também descreveu a cena que policiais militares encontraram após serem acionados para a residência em Patos. De acordo com a magistrada, a mãe foi vista “com mãos, rosto e vestes ensanguentados, gritando em via pública que seu companheiro havia ceifado a vida de seu filho”.

Pelo relato, o pai do bebê foi encontrado pela Polícia Militar da seguinte forma: “o flagranteado Marcos Gabriel Santos Pacheco de Alacoque encontrava-se no beco contíguo, sem camisa, igualmente clamando por socorro policial e imputando a autoria dos golpes à genitora da criança”.

Em depoimento para a Polícia Civil, após as prisões, tanto o pai quanto a mãe mantiveram as versões de que um e o outro, respectivamente, cometeram o crime.

Ambos foram presos em flagrante na quarta-feira (14) e a audiência de custódia deles converteu esse tipo de prisão para prisão preventiva aconteceu na quinta-feira (15). Eles podem responder por homicídio qualificado e omissão.

O homem foi encaminhado para o Presídio Masculino Romero Nóbrega, em Patos, e a mulher para o Presídio Regional Feminino, também em Patos.

Bebê agonizou antes de morrer

O bebê de 23 dias sofreu 24 facadas, segundo a perícia. De acordo com o perito do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) da cidade, Dionísio Filho, a criança não morreu imediatamente após os golpes e agonizou antes de morrer.

De acordo com o perito, 13 ferimentos atingiram a parte posterior do corpo, incluindo as costas e os braços, enquanto outros 11 foram registrados na parte frontal, no abdômen, no rosto e no tórax. Uma das facadas perfurou o coração do bebê. As informações sobre as circunstâncias da morte foram apuradas pela TV Paraíba.

Investigação

Conforme a Polícia Civil, as investigações seguem para delimitar a participação de ambos no caso. De acordo com o delegado Gilson Duarte ao g1, duas hipóteses são investigadas:

a primeira, se a mulher teve participação sozinha no crime;

e a segunda, se o homem participou em conjunto do crime.

Também é avaliado uma suposta omissão do pai na morte do bebê.

O delegado informou também que, após as prisões, as versões conflitantes nos depoimentos foram comparadas com versões de testemunhas do caso. A polícia ouviu vizinhos e também pessoas que passavam na rua da residência onde o crime aconteceu.

Entre as inconsistências dos depoimentos, de acordo com o delegado, está uma versão apresentada pela mulher, que teria dito que teria filmado o ocorrido, no entanto, ao averiguar o aparelho a polícia não encontrou nenhum vídeo relacionado ao crime. O celular foi apreendido e vai passar por perícia.

Casa onde crime aconteceu foi invadida

A casa onde um bebê de 23 dias foi morto a facadas, em Patos, foi arrombada por vizinhos na madrugada da quinta-feira (15). Objetos que estavam na residência, entre eles um colchão e uma cama, foram retirados e queimados em uma área próxima ao imóvel.

De acordo com a Polícia Militar, equipes haviam realizado rondas na região para evitar atos de vandalismo contra a casa. A invasão aconteceu durante a madrugada, em um intervalo entre as passagens das viaturas.

A Polícia Civil busca informações que possam ajudar a identificar os responsáveis pela invasão, pelo saque e pelo incêndio dos pertences. Caso sejam identificados, os envolvidos poderão responder pelos danos causados à residência.

A corporação também informou que a invasão não prejudicou as investigações sobre a morte do bebê, já que a perícia na casa foi realizada ainda na quarta-feira (14).

Entenda o caso 

Um bebê morreu após ser ferido com golpes de faca na manhã da quarta-feira (14), em Patos. Os pais da criança foram detidos.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado pela Polícia Militar e, ao chegar ao local, encontrou o bebê em cima de uma cama, já sem sinais de vida.

Segundo o médico do Samu, a criança apresentava diversas perfurações provocadas por faca, principalmente na região abdominal, além de ferimentos em outras partes do corpo. De acordo com a Polícia Civil, o bebê era do sexo masculino e tinha 23 dias de vida.

Conforme a corporação, após serem detidos e ouvidos em depoimento, os dois apresentaram versões conflitantes sobre o que teria ocorrido e atribuíram um ao outro a responsabilidade pelo crime.

O corpo da criança foi encaminhado ao Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), onde passa por exames.

Gilson Duarte também informou que o pai e a mãe do bebê estavam separados havia algum tempo, mas estiveram juntos na mesma residência no dia do crime. Segundo a Polícia Civil, a mulher teria ido a Patos para retirar alguns móveis da casa. Essa versão foi apresentada por ela em depoimento. A mulher também teria outro relacionamento com uma pessoa de São Bento, no Sertão da Paraíba.

Por g1 PB



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