A movimentação política tomou as ruas de Esperança nesta terça-feira (1º), mas, dentro da Câmara Municipal, o cenário foi de cadeiras vazias. Apenas sete dos 13 vereadores compareceram à sessão ordinária que terminou com a aprovação da CPI do Lixo.
As ausências chamaram ainda mais atenção porque atingiram nomes politicamente ligados à base que sustenta o prefeito Thiago Moraes (PP). O gestor foi eleito em 2024 por uma coligação formada pelo PP, PSD e pela Federação Brasil da Esperança.
Estiveram presentes Dr. Adeilson, Dr. Matheus, Amazan, Naldo de Zezinho, Adílio Maia, Raquel Núbia e Genival de Andrade.
Com apenas sete parlamentares no plenário, a Câmara funcionou justamente com a maioria absoluta de uma Casa formada por 13 vereadores. O número representa pouco mais da metade de todos os representantes eleitos para discutir, fiscalizar e votar matérias de interesse da população.
E não era uma sessão qualquer.
Entre as principais matérias estava o requerimento para criação da CPI do Lixo, que acabou aprovado pelos sete vereadores presentes. A comissão deverá investigar questões relacionadas ao serviço de limpeza urbana no município. A instalação de uma CPI tem caráter investigativo e não representa, por si só, comprovação de irregularidades.
Base sente as ausências
O contraste político da noite foi inevitável.
Enquanto Esperança vivia um dia de atos, encontros e movimentações políticas que também ganharam as redes sociais, uma sessão previamente prevista no calendário do Legislativo acontecia com quase metade das cadeiras vazias.
Isso não significa afirmar que os parlamentares ausentes deixaram de comparecer à Câmara para participar de determinado ato político. Para estabelecer essa relação individualmente, seria necessário confrontar horários, registros e as justificativas apresentadas pelos vereadores.
Mas o fato objetivo permanece: em um dia politicamente movimentado, seis dos 13 parlamentares não estavam no plenário quando assuntos relevantes para o município foram discutidos.
Entre as ausências informadas está a de Joelson Dias, integrante da Mesa Diretora como 2º secretário. A situação ganha peso institucional porque os membros da Mesa possuem, além das atribuições comuns do mandato, responsabilidades na própria condução do Legislativo.
A Câmara, inclusive, possui histórico de divulgar justificativas de ausência de seus parlamentares. Em julho deste ano, por exemplo, informou oficialmente as faltas justificadas de Genival de Andrade, Joelson Dias, Naldo de Zezinho e Rodrigo Alves em outra sessão.
Por isso, a pergunta desta vez também precisa ser respondida: quais justificativas foram apresentadas para as seis ausências?
Mandato também é presença
O debate não deve ser reduzido a situação contra oposição.
Quem ocupa uma cadeira na Câmara recebeu — diretamente pelo voto ou na condição de suplente convocado — a responsabilidade de representar a população, fiscalizar a Prefeitura e participar das decisões legislativas.
Atos políticos, encontros partidários e articulações fazem parte da política. Mas a sessão da Câmara é justamente o espaço institucional onde o mandato se materializa.
Na terça-feira em que uma CPI foi aprovada, Esperança teve uma imagem que por si só provoca questionamentos: sete vereadores decidindo e seis cadeiras sem seus representantes.
A política pode até se movimentar nas ruas.
Mas quem recebeu um mandato também precisa estar onde as decisões são tomadas.
O Se Liga PB mantém espaço aberto aos vereadores ausentes e à Câmara Municipal de Esperança para apresentação das justificativas referentes à sessão desta terça-feira.
Redação












