A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a ludopatia como um transtorno mental caracterizado pelo desejo incontrolável e compulsivo em jogos de apostas e azar. No Brasil, estudos apontam que mais de 13 milhões de pessoas apresentam comportamento de risco em virtude das bets e acumulam problemas financeiros e mentais por causa do vício.
Para muitos, esse vício é uma irresponsabilidade. No entanto, é preciso entender como ele funciona no cérebro humano. “A aposta mexe com um sistema de expectativa e recompensa. Você fica esperando o resultado junto com a tensão e a possibilidade de ganhar, gerando uma espécie de excitação. O problema é quando o ciclo começa a se repetir e a pessoa fica cada vez mais envolvida. Às vezes, perde, pensa ‘preciso jogar de novo para recuperar’ e não vence novamente. Quando percebe, está tentando recuperar não só o dinheiro, mas também o controle da situação”, explica Max Lira, mestre em Psicologia da Saúde, psicólogo e docente do curso de Psicologia da UNINASSAU Campina Grande.
Segundo Max, o quadro de vício não deve ser medido pela quantidade de apostas feitas, mas se a pessoa consegue parar. Alguns sinais de alerta são quando começam a surgir pensamentos como “só mais uma”, “vou recuperar o que perdi”, “agora vai”, “quando ganhar eu paro”.
“Quando a pessoa perde dinheiro e, ao invés vez de parar, aumenta a aposta para recuperar, ela vai começar a esconder, mentir, comprometer o dinheiro da casa e ter dificuldades no trabalho, nos estudos e relacionamentos. O problema não é apenas o valor, mas quando as apostas começam a ocupar boa parte da rotina”, afirma o psicólogo.
Para quem se encontra nesta situação ou tem algum familiar ou amigo passando pelo mesmo, Max aborda a importância de buscar ajuda de um psicólogo. De início, o profissional não vai apenas orientar o paciente a deixar de jogar, mas entender como o vício teve início. “Talvez a pessoa esteja apenas buscando dinheiro. Mas também pode estar procurando uma sensação de esperança, poder, reconhecimento e mudança”.
Max ainda deixa uma reflexão para os familiares que convivem com alguém nesta situação. “É preciso colocar limite, principalmente quando existe prejuízo financeiro, mas também tentar compreender o que está acontecendo. Responsabilizar é diferente de humilhar. A pessoa precisa assumir responsabilidade pelas próprias escolhas, mas necessita de um espaço para conseguir falar sobre aquilo sem ser reduzida à condição de viciado”.
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