Lula e Flávio Bolsonaro autorizam quebra de sigilos

Candidatos assinaram acordo no TSE para divulgar informações pessoais, familiares e empresariais. Autorizações devem ser entregues até as 23h59 desta quinta-feira (22).

Publicado: 22/10/2026

Foto: Paulo Pinto e Fernando Frazão/ Agência Brasil



Os candidatos à Presidência da República Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) concordaram em abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico. O compromisso foi formalizado nesta quinta-feira (22), em uma petição apresentada ao ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As campanhas pediram que o ministro determine a quebra dos sigilos ainda hoje, com solicitações ao Banco Central, a instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia. A proposta também prevê a divulgação simultânea das informações em um site de acesso público, como o DivulgaCandContas, do TSE. As autorizações devem ser entregues até as 23h59.

Lula autorizou o levantamento dos próprios sigilos, dos familiares, da empresa de palestras ligada a ele e das demais condições previstas no acordo. Flávio Bolsonaro, por sua vez, concordou em liberar os próprios dados, os de familiares e os de empresas nas quais atua como sócio, administrador, responsável financeiro ou usuário master. O senador também autorizou a divulgação de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Acordo inclui empresa ligada a Willer Tomaz
Outro ponto do compromisso é a disponibilização de informações da conta da Alcazar Holdings, empresa que tem como sócio o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro. Com sede na Ilha da Madeira, em Portugal, a companhia é alvo de investigação da Polícia Federal.

Segundo o presidente nacional do PT, Edinho Silva, a inclusão da empresa foi um dos pontos de resistência durante as negociações com os representantes de Flávio.

“Infelizmente tivemos um embate para que a empresa ou a relação com Willer Tomaz não ficasse de fora desse gesto de transparência. Eles acataram depois de nós não cedermos. Agora, nós vamos saber quais são as relações existentes”, afirmou.

Edinho acrescentou que, a partir da petição, André Mendonça poderá requisitar informações sobre a empresa e as relações entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro.

Campanha de Flávio queria analisar dados de Lula primeiro

Antes da assinatura do acordo, a campanha de Flávio Bolsonaro havia informado que pretendia analisar as informações apresentadas por Lula antes de liberar os dados do senador. A posição foi explicada pela advogada Maria Claudia Bucchianeri.

“Se eles trouxerem tudo, a gente traz. Se a gente confirmar que tudo o que ele se comprometeu, ele trouxe, será imediata [a quebra do sigilo]”, declarou.

Para examinar os documentos de Lula, a campanha de Flávio escalou Deltan Dallagnol, ex-procurador da República que comandou a Operação Lava Jato.

Dallagnol foi eleito senador pelo Paraná, mas a validade de sua candidatura ainda depende de avaliação do TSE. Ele foi cassado em 2023 com base na Lei da Ficha Limpa.

Portal Paraíba.com.br



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