A Polícia Civil da Paraíba cumpriu cinco mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (20), em Teixeira, no Sertão da Paraíba, durante uma investigação sobre os maus-tratos e mortes de mais de mais de 200 cães e gatos na cidade. Celulares foram apreendidos e serão periciados.
A ação foi realizada pela Delegacia de Roubos e Furtos de Patos e faz parte da Operação Áfonos. Os mandados foram cumpridos contra pessoas de um mesmo núcleo familiar, citadas em informações recebidas pela polícia como suspeitas de envolvimento nos crimes de maus-tratos a animais registrados no município.
Segundo a Polícia Civil, além dos celulares, outras medidas de investigação foram autorizadas pela Justiça para verificar se os investigados têm participação nos crimes.
O delegado Thitto de Amorim, responsável pelas investigações, informou ainda que o cumprimento dos mandados não significa que os investigados sejam culpados.
“Isso por si só não antecipa a culpa. As buscas foram voltadas a angariar novas provas sobre a situação. Alguns celulares foram apreendidos e serão periciados a fim de confirmar se tem ou não participação desses investigados nos crimes que estão acontecendo” disse o delegado.
Mais de 200 animais morreram em Teixeira
A investigação ocorre após mais de 200 cães e gatos morrerem em Teixeira desde maio, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil. Em 6 de agosto, a corporação informou que os animais foram envenenados após a análise dos laudos.
Durante a perícia, foram encontrados grânulos no estômago dos animais semelhantes ao veneno conhecido popularmente como chumbinho. A Polícia Civil informou, no entanto, que o tipo exato da substância utilizada ainda não havia sido confirmado.
No fim de junho, o caso já contabilizava mais de 100 animais mortos. Pouco mais de um mês depois, o número passou de 200.
A investigação busca esclarecer quem é responsável pelas mortes de animais em Teixeira e como os crimes ocorreram. A Polícia Civil afirmou que as nformações e os materiais apreendidos serão analisados durante a investigação.
Casos começaram com animais de rua
Um dos casos que chamou a atenção dos moradores foi o da cachorra Safira, que vivia há sete anos com a técnica de enfermagem Verônica Honório. Segundo Verônica, o animal saiu de casa por alguns minutos, em uma noite de domingo, para fazer as necessidades. Ao retornar, apresentava salivação intensa e começou a passar mal.
“Ela já entrou babando. Foi questão de 10 minutos. Ela babando, babando muito, não era pouco não, e balançando a cabeça assim, aí caiu na cozinha. Eu pedi socorro ao vizinho”, disse.
Com a ajuda de um vizinho e de integrantes de um projeto de proteção animal que atua na região, foram realizados procedimentos de primeiros socorros para tentar estabilizar a cachorra. Safira foi levada para uma clínica veterinária particular, mas não resistiu e morreu.A tutora acredita que o animal tenha sido envenenado. Segundo ela, a cachorra já estava sob maior observação porque havia relatos de mortes de outros animais na cidade. Verônica, no entanto, acreditava que os casos atingiam principalmente animais de rua. “Foi veneno. Foi veneno. Não sei se ela comeu ou se ela cheirou. Agora que foi veneno, foi”, afirmou.
A técnica de enfermagem disse que acompanhava os relatos de mortes de animais e estava preocupada com a situação.
“A gente já tava com psicológico abalado de ver tantas cenas cruéis, cachorro morrendo. Até então, eu eu eu pensei, eu disse: ‘Tão matando os de rua'”, disse.
Por g1 PB












