Um movimento nas redes sociais liderado por diversos políticos, empresários e influenciadores incentivou a demissão de trabalhadores que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (25), divulgando listas de empresas e possíveis boicotes. Em resposta, o Ministério Público do Trabalho (MPT) chegou a processar uma deputada estadual eleita pelo RJ por assédio eleitoral.
Chamado de “Demita um petista”, o mesmo movimento tentou mobilizar apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) a deixarem de comprar em estabelecimentos associados à esquerda.
Segundo o jornal Folha de S. Paulo, as listas citando empresas começaram a circular em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre, assim como em cidades do interior paulista.
A deputada estadual do Rio de Janeiro Índia Armelau (PL), por exemplo, chegou a compartilhar mensagem para empresários citando o movimento. “Não contrate quem odeia empresários. Quem gera empregos merece respeito”, escreveu.
O Ministério Público do Trabalho processou a parlamentar em R$ 500 mil por assédio eleitoral, informando que “a mensagem estimula o assédio eleitoral e a discriminação por convicção política”.
Já no Paraná, dois parlamentares que apoiaram a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência publicaram mensagens favoráveis à demissão de trabalhadores identificados com o PT. Eles foram denunciados pelo deputado estadual Requião Filho (PDT) ao MPT-PR (Ministério Público do Trabalho no Paraná).
O vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), eleito deputado federal, publicou conteúdo incentivando empresários a dispensar funcionários petistas. Ele ainda defendeu que empregadores priorizassem esses trabalhadores em eventuais cortes de gastos.
O MPT recomendou ao parlamentar uma retratação pública para esclarecer que os trabalhadores têm direito de escolher livremente candidatos, sem sofrer represálias profissionais.
Legislação brasileira proíbe prática
A legislação brasileira proíbe práticas discriminatórias no acesso ou na manutenção do emprego. Conforme a Lei nº 9.029, ficam estabelecidas restrições a condutas discriminatórias nas relações de trabalho, enquanto a Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) também trata da discriminação em matéria de emprego e profissão.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho (PT), também criticou a campanha de demissões e afirmou que o governo está disponível para receber denúncias de trabalhadores que sofram discriminação ou intimidação por suas escolhas políticas. A orientação é procurar o sindicato da categoria ou o próprio Ministério do Trabalho.
Fonte: Diário do Nordeste












