Sucesso dentro e fora do país, peças esculpidas por arquiteto de Lagoa Seca viram cenário de videoclipe do cantor PS Carvalho

Publicado: 26/09/2020



Um jeito único de transformar peças de metal em barquinhos de papel e aves, por exemplo. Eis parte do trabalho que o arquiteto Rabi Araújo, prestes a completar 27 primaveras na semana que vem, desenvolve em Lagoa Seca, além, claro, de mostrá-lo no resto do país e no mundo. E seu presente chegou nesta semana, quando ele teve a oportunidade de participar durante dois dias das intensas gravações de um videoclipe do músico e cantor paraibano PS Carvalho. Rabi não ficou frente às câmeras, no entanto, as imagens puderam capturar suas obras esculpidas no zinco, cujo material serviu de cenário para ilustrar “Azul do Céu”, título da nova canção de PS.

Depois de ter visto uma live da jornalista Messina Palmeira com Rabi, onde ambos conversaram sobre arte e outros temas afins, de imediato o cantor procurou o arquiteto para apresentar seu mais novo trabalho e convidá-lo a fazer parte do projeto musical que estava sendo gerado. Outro integrante entraria para esse time embalçamado na arte e cultura, assim fez o artista plástico Saulo Ais, emprestando também alguns dos seus quadros para a decoração do ambiente onde o clipe foi realizado. No caso de Saulo, ele conheceu PS Carvalho após sua participação no programa de rádio Alegria, Alegria, comandado pelos cantores Capilé e Sócrates Gonçalves, na 101.1 FM, em Campina Grande.

A estimativa é de que o produto final esteja pronto para ser lançado no mercado fonográfico nas próximas semanas. Os fãs de PS vão poder aguardar o laçamento de “Azul do Céu” nas redes sociais e nas plataformas musicais, incluindo o Youtube, ferramenta que o artista maneja muito bem. Tanto é que um dos seus canais que trata de assuntos ligados à engenharia civil, ciência da qual ele tem formação acadêmica, tem mais de 54 mil inscritos, com cerca de 5 milhões de visualizações.

Mas esse projeto não está limitado apenas na criação de um videoclipe, conta PS. A parceria dele com Rabi – intitulada “Os Barcos” – vai culminar na elaboração de um livro, que vai relatar o surgimento dessa amizade, bem como trazer capítulos citando a história de sucesso do cantor e trechos de 37 canções de sua autoria. “Quando você admira a obra do colega, e ele admira a tua, isso cria uma energia fanstástica. Fico feliz porque sei que minhas letras [músicas] trazem uma mensagem, têm um objetivo maior”, destacou Carvalho, que não quis adiantar muito do que a música trataria, entrentato tenha garantido que ela passearia pelas cores, formas e sensações diversas, apetrechos alinhados às obras de Rabi e Saulo.

A produção do audiovisual aconteceu nas instalações do Convento Ipuarana, em Lagoa Seca. No entanto, vale lembrar que a escolha por fazer a gravação no município não esboça surpresa, já que a região carrega a alcunha de “terra do artesanato”, de onde saem variadas tipologias e peças artesanais, sendo praticamente um celeiro de muitos artesãos.

Em comunhão a isso, nascem as esculturas de Rabi, que fez questão de mencionar as personalidades que lhe serviram de ‘espelho’ e motivação na jornada profissional. “Falar de Lagoa Seca é falar de gente que ama o que faz, especialmente diante do artesananto. Como não recordar Dona Expedita e suas bonecas de estopa? E numa esfera maior há tantos nomes, como o artista e restaurador Flávio Capitulino, etc. Além disso, minha experiência fora do Brasil me possibilitou respirar muita arte e formas arquitetônicas, para que, hoje, eu me entregasse com maior vivacidade à minha profissão”, disse.

O arquiteto relatou, ainda, que sua paixão na infância foi os barquinhos de papel, explicando seu sucesso com as peças que produz. Seu trabalho continua somado aos projetos arquitetônicos, inobstante à crise gerada pela atual pandemia, esclarece ele.

Saulo Ais falou do projeto musical envolvendo suas obras, as quais seguem expostas em galerias de artes por aí afora. O artista plástico – portando no currículo também as profissões de historiador e professor – elogiou o talento de Rabi. “O trabalho de Rabi é algo nobre. E digo mais: o artista já nasce artista; ao longo do tempo vai desenvolvendo técnicas. E ele [Rabi] é prova disso. Tenho anos de profissão e viajei a muitos lugares, mas confesso que aqui é o local de valorização e respeito aos promotores da arte”, mencionou.

(Texto e Imagens: Yago Fernandes)



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