Vereador de Junco do Seridó se retrata e admite ter sido “infeliz” ao pedir que prefeito obrigasse servidores a votar

Vereador de Junco do Seridó reconheceu o uso de expressões inadequadas e pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas.

Publicado: 11/09/2026

Foto: Reprodução



O vereador de Junco do Seridó, Roberto Cândido (União Brasil), usou a tribuna da Câmara Municipal, nessa quinta-feira (10), para se retratar após uma declaração feita por ele em uma sessão anterior repercutir negativamente e resultar na abertura de um procedimento pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).

Na ocasião, o parlamentar havia defendido que o prefeito do município obrigasse servidores municipais contratados a votar nos candidatos apoiados por ele.

Durante o pronunciamento dessa quinta-feira, Roberto Cândido reconheceu que foi infeliz na declaração e afirmou que utilizou expressões inadequadas. Segundo o vereador, a repercussão da fala foi diferente daquilo que pretendia transmitir. Ele ainda defendeu que o voto deve ser livre, sem qualquer tipo de pressão ou obrigatoriedade.

“Fui infeliz na forma que me expressei e não tenho nenhum problema de reconhecer publicamente”, disse o parlamentar.

Em seguida, Roberto reforçou que não defende a obrigatoriedade de voto e pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas pela declaração anterior.

“Nunca defendi que ninguém fosse obrigado a pegar chicote para colocar os seus funcionários para votar. Inclusive, tem muitos que fazem isso. O voto é livre. Cada cidadão tem o direito de escolher o candidato que quiser, de acordo com sua consciência e sua vontade. Ninguém deve ser pressionado, ameaçado ou obrigado, como eu falei aqui na minha fala. E peço desculpas para aquelas pessoas que se ofenderam”, declarou.

A manifestação ocorreu após a repercussão da fala anterior e a instauração de procedimento pelo Ministério Público Eleitoral para apurar o caso.

Relembre o caso

Uma fala do vereador de Junco do Seridó, Roberto Cândido (União Brasil), causou repercussão durante sessão da Câmara Municipal no último dia 3 de setembro, ao defender que o prefeito cobrasse dos servidores contratados apoio aos candidatos aliados.

Durante o discurso, o vereador afirmou que funcionários que conseguiram emprego na gestão deveriam demonstrar “gratidão” por meio do voto. Ele também sugeriu que servidores contrários ao grupo político entregassem seus cargos.

“Quem nunca teve uma oportunidade de emprego, hoje o prefeito deu. E eu acho que quem recebeu pela primeira vez deve ser grato, reconhecer através do voto”, declarou.

Ele ainda citou que funcionários públicos estariam sendo obrigados a participar de eventos de campanha, mas que poderiam “entregar” seus empregos, caso não estivesse satisfeitos com a situação.

Diante da declaração, o Ministério Público Eleitoral instaurou, na terça-feira (8), um procedimento para apurar possíveis irregularidades eleitorais. Conforme a ação, o parlamentar teria defendido a cobrança de apoio político de servidores municipais, incluindo participação em atos de campanha e exposição de bandeiras ou fotos de candidatos.

O MP Eleitoral vai apurar se houve constrangimento ou pressão para que servidores apoiassem determinadas candidaturas, participassem de atividades eleitorais ou exibissem material de campanha. Também será investigada uma possível relação entre a manutenção dos empregos públicos e o apoio político-eleitoral.

Entre as possíveis irregularidades estão abuso de poder político ou de autoridade, captação ilícita de sufrágio, condutas vedadas a agentes públicos e assédio eleitoral no ambiente de trabalho.

Por ClickPB 



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