A sessão da Câmara Municipal de Esperança desta terça-feira (1º) terminou com a gestão do prefeito Thiago de Assis Moraes (PP) submetida a uma forte sequência de cobranças. Demissões recentes, questionamentos envolvendo a Saúde, ausência de concurso público e, principalmente, o avanço de uma investigação parlamentar sobre os serviços de limpeza urbana colocaram o Executivo no centro do debate político.
O conjunto dos acontecimentos amplia o desgaste enfrentado pela administração. Embora não seja possível afirmar como fato que o prefeito tenha “perdido o controle administrativo”, a sessão revelou um ambiente de forte pressão política e uma crescente dificuldade da gestão em evitar que diferentes problemas administrativos cheguem simultaneamente ao Legislativo.
Demissões entram no centro do debate
Um dos assuntos que mais repercutiram foi a saída de servidores ligados à Saúde municipal.
O Se Liga PB revelou nesta terça-feira os desligamentos de Kallynia Vasconcelos, que atuava na Farmácia Básica do SESP e estava havia aproximadamente nove anos na estrutura municipal, e de Kézia Delgado, cuja trajetória na Saúde soma cerca de 14 anos, em períodos distintos de atuação.
Durante a sessão, o vereador Adeilson dos Santos (PP), Dr. Adeilson, manifestou solidariedade às pessoas desligadas e fez novas cobranças à Prefeitura. O parlamentar ocupa a vice-presidência da Câmara e deixou recentemente a liderança do governo municipal.
A vereadora Raquel Núbia Gomes Silva Oliveira (PP) também lamentou os desligamentos e levantou, durante sua manifestação, a suspeita de perseguição política.
A acusação, entretanto, deve ser tratada juridicamente como alegação da parlamentar, e não como fato comprovado. Até o momento, não foram apresentados elementos públicos suficientes para afirmar que as demissões tenham ocorrido por motivação político-partidária.
Amazan questiona concurso e fala em suposta perseguição
O vereador José Adeilton da Silva Moreno (MDB), conhecido como Amazan, também direcionou críticas à administração. Entre os pontos levantados esteve a ausência de concurso público, além de questionamentos relacionados aos desligamentos e à possibilidade de perseguição política.
Assim como no pronunciamento de Raquel Núbia, qualquer eventual motivação política nas demissões precisa ser comprovada. A responsabilidade administrativa ou judicial dependerá das características de cada vínculo e dos atos formalmente praticados pelo Município.
Dr. Adeilson relembra cobrança à FAP, situação posteriormente resolvida
Outro assunto mencionado durante a sessão foi uma cobrança feita anteriormente pelo vereador Dr. Adeilson envolvendo a Fundação Assistencial da Paraíba (FAP), em Campina Grande.
Na ocasião, o parlamentar tornou pública uma pendência de R$ 29.575, relacionada à realização de exames laboratoriais depois que determinados procedimentos deixaram de ser realizados pelo laboratório municipal.
Após a cobrança feita pelo vereador, a situação foi solucionada e a pendência envolvendo a FAP foi regularizada.
O episódio voltou a ser citado por Dr. Adeilson nesta terça-feira dentro de um conjunto de cobranças e questionamentos feitos pelo parlamentar sobre a administração municipal e a prestação dos serviços públicos.
CPI do Lixo é aprovada por unanimidade entre presentes
O fato de maior repercussão política da sessão veio na discussão sobre a limpeza urbana.
O requerimento para criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Lixo, de autoria do vereador Matheus José Araújo de Lima (PL), Dr. Matheus, foi aprovado.
Segundo as informações acompanhadas pelo Se Liga PB, sete vereadores estavam presentes e os sete votaram favoravelmente ao requerimento, resultando em aprovação por unanimidade entre os parlamentares que participaram da sessão.
Uma reunião está prevista para quinta-feira (3), quando deverá ocorrer a indicação dos integrantes da comissão.
É importante destacar que a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito possui caráter investigativo. Sua aprovação não comprova irregularidades, não representa condenação da Prefeitura ou de qualquer empresa e não estabelece previamente responsabilidade de agentes públicos. A comissão deverá apurar os fatos definidos em seu objeto, reunir documentos e, posteriormente, apresentar suas conclusões.
Nova licitação do lixo entra no radar
A CPI surge justamente quando o Município conduz um novo procedimento para os serviços de limpeza urbana.
O Pregão Eletrônico nº 35/2026 prevê a contratação de empresa para serviços contínuos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos, incluindo coleta e transporte do lixo, destinação final, resíduos de poda, varrição, zeladoria urbana e implantação e manutenção de Pontos de Entrega Voluntária (PEVs).
O novo processo licitatório tem valor global estimado de R$ 8.329.047,60. O montante consta no edital e representa apenas uma estimativa do procedimento, não significando que esse valor já tenha sido contratado ou pago pelo Município.
A existência de uma nova licitação não significa, isoladamente, qualquer irregularidade. Caberá à CPI, depois de constituída, estabelecer o objeto da investigação e analisar documentos, contratos, pagamentos e demais procedimentos relacionados ao serviço de limpeza urbana.
Ausências também chamaram atenção
Outro ingrediente político da sessão foi a presença de apenas sete dos 13 vereadores.
Informações que circularam nos bastidores apontaram que vereadores ligados à situação estariam participando de uma caminhada ou agenda política ligada ao grupo do prefeito.
Até o fechamento desta matéria, porém, não havia confirmação oficial de que essa tenha sido a razão da ausência de todos os parlamentares, motivo pelo qual o Se Liga PB não atribui as faltas diretamente à atividade política.
O dado objetivo é que, com sete vereadores presentes, o requerimento da CPI recebeu sete votos favoráveis.
Pressão aumenta sobre Thiago Moraes
O resultado político da noite é difícil de ignorar.
Em uma única sessão, a gestão de Thiago de Assis Moraes (PP) enfrentou cobranças envolvendo demissões, alegações de possível perseguição política apresentadas por vereadores, questionamentos sobre concurso público e o avanço da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Lixo, justamente em um momento em que o Município conduz uma nova contratação milionária para os serviços de limpeza urbana.
A cobrança anteriormente feita pelo vereador Dr. Adeilson envolvendo a Fundação Assistencial da Paraíba (FAP) também voltou ao debate, embora a pendência mencionada pelo parlamentar já tenha sido posteriormente solucionada pela gestão.
O cenário é de forte desgaste e pressão administrativa e política, mas eventuais irregularidades, perseguições ou responsabilidades somente poderão ser afirmadas após comprovação documental ou manifestação dos órgãos competentes.
O Se Liga PB mantém espaço aberto à Prefeitura de Esperança, ao prefeito Thiago Moraes e aos demais envolvidos para esclarecimentos sobre os desligamentos, os questionamentos relativos ao concurso público e os serviços de limpeza urbana.
Redação












